A China procurou atrair líderes de multinacionais durante um fórum económico realizado no domingo em Pequim, apresentando-se como um “porto de estabilidade” e um parceiro fiável, num contexto internacional marcado por tensões geopolíticas e proteccionismo comercial. O Primeiro-Ministro Li Qiang afirmou perante mais de 70 dirigentes empresariais reunidos no Fórum de Desenvolvimento da China que o país oferece uma cadeia de abastecimento “inigualável” e um ambiente de negócios previsível. Segundo Li, a China pretende ser um “pilar de certeza” face à instabilidade global e compromete-se a aprofundar a abertura ao exterior, aumentar as importações de produtos de qualidade e promover um desenvolvimento mais equilibrado do comércio internacional. Entre os participantes estiveram executivos de grandes empresas internacionais, como Tim Cook, da Apple, além de responsáveis de instituições financeiras e industriais de referência. O fórum, organizado anualmente após a sessão da Assembleia Nacional Popular, funciona como uma plataforma para a liderança chinesa apresentar as suas prioridades económicas junto de investidores estrangeiros. Este ano, Pequim promove o seu novo plano económico até 2030 como uma oportunidade para reforçar o investimento externo. Sem mencionar directamente os EUA, a mensagem das autoridades chinesas surge num contexto de rivalidade crescente entre as duas maiores economias mundiais. Analistas indicaram que Pequim procura destacar-se como alternativa mais estável, num momento em que Washington enfrenta envolvimento em conflitos e tensões comerciais. O governador do banco central chinês, Pan Gongsheng, defendeu a competitividade das exportações chinesas, rejeitando críticas de que resultem de subsídios estatais e atribuindo-a a reformas económicas, à dimensão do mercado interno e à robustez das cadeias de abastecimento. O encontro decorre num contexto de crescente preocupação internacional com o elevado excedente comercial da China, que atingiu níveis recorde no último ano, bem como com o impacto das exportações chinesas de baixo custo nas economias europeias. O actual plano económico mantém a aposta na indústria transformadora de alta tecnologia, o que tem gerado receios de maior pressão sobre os sectores industriais ocidentais. Apesar da forte presença de executivos internacionais, com destaque para representantes norte-americanos e europeus, o Presidente chinês, Xi Jinping, não deverá reunir-se com os participantes este ano, ao contrário do que aconteceu em edições anteriores. Entre os outros líderes empresariais presentes este ano encontram-se Roland Busch, da Siemens; Oliver Blume, da Volkswagen; Kwak Noh-jung, da SK Hynix; Philipp Navratil, da Nestlé; Ola Källenius, da Mercedes-Benz; Joseph Bae, da KKR; Brian Sikes, da Cargill; Bill Winters, do Standard Chartered; e Christoph Schweizer, do Boston Consulting Group. Os executivos norte-americanos estiveram bem representados, compondo 45% dos convidados, segundo Han Shen Lin, da consultora Asia Group. Os europeus representaram 36%, sendo o restante proveniente da Ásia, Austrália e outras regiões. Os serviços financeiros dominaram, representando cerca de 22% dos convidados, enquanto os do sector energético representaram apenas cerca de 4%.

 

JTM com Lusa