O ministro dos Negócios Estrangeiros chinês alertou que a próxima fase das negociações entre os EUA e o Irão, para alcançar um acordo para pôr fim ao conflito na região, será “mais complicada”. Numa conversa telefónica com o homólogo paquistanês, Ishaq Dar, Wang Yi indicou que “é possível” prever “mais dificuldades” após a assinatura oficial do memorando de entendimento esta sexta-feira e defendeu que o Conselho de Segurança da ONU “deve desempenhar um maior papel no apoio a estas conversações”. “O consenso actual está longe de ser o ponto final. Em vez disso, é um novo ponto de partida”, frisou, segundo um comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros, reiterando que “alcançar uma paz duradoura no Médio Oriente e no Golfo Pérsico exige esforços substanciais de todos os lados”. “Enquanto houver esperança de paz, o esforço vale a pena. Desde o início do conflito, a China tem cooperado com todas as partes, trabalhando activamente para cessar os combates e promover a paz. Desde o início, a China apoiou firmemente o Paquistão, sublinhando a todas as partes que é um mediador fiável, e também tem cooperado com o Irão e os EUA, à sua maneira”, destacou. Wang salientou ainda que a China está disposta a trabalhar com o Paquistão para promover a paz. “Acreditamos que as negociações não devem recuar, muito menos voltar ao uso da força”, vincou, acrescentando que “a viagem está apenas a meio”. “O Médio Oriente sofreu enormemente por causa da guerra, e os seus habitantes merecem paz. A China está disposta a cooperar (…) para promover incansavelmente a paz e o diálogo, e a continuar a esforçar-se para restaurar a paz, a estabilidade e o desenvolvimento na região o mais rapidamente possível”, concluiu. Os MNE de Pequim e Islamabad aproveitaram para destacar o êxito do seu plano conjunto de cinco pontos para a paz e a estabilidade no Médio Oriente. Ishaq Dar “reconheceu os importantes contributos de Pequim para a restauração da paz e da estabilidade regionais, especialmente a Iniciativa de Cinco Pontos entre o Paquistão e a China”, segundo um comunicado. Este plano instava à abertura de negociações de paz imediatas para evitar uma escalada do conflito e exigia o restabelecimento da navegação no estreito de Ormuz. Wang também agradeceu “o dinâmico trabalho diplomático do Paquistão e os seus sólidos esforços de mediação, que contribuíram para criar as condições propícias ao diálogo”. Entretanto, o Presidente dos EUA disse acreditar que “tudo correrá mais ou menos como planeado”, para que o acordo com o Irão seja finalizado no prazo previsto de 60 dias. O acordo estipula que “o Irão nunca terá uma arma nuclear” e o Estreito de Ormuz permanecerá aberto “sem portagens”, enfatizou Donald Trump, à margem da cimeira do G7 na França. Por outro lado, voltou a criticar o Primeiro-Ministro israelita, instando Benjamin Netanyahu a ser “mais responsável” em relação à sua ofensiva no Líbano contra a milícia xiita Hezbollah. Em conversa com o emir do Qatar, Trump disse que a situação no Líbano é um conflito “menor” e sugeriu que a Síria deveria assumir a liderança contra o Hezbollah. “Se Israel não consegue resolver a situação sem matar todos os outros, a Síria consegue”, comentou. Os líderes do G7 concordam que Israel deve terminar a ofensiva no Líbano e retirar-se do território ocupado, e que será necessária uma nova força multinacional para apoiar o exército libanês na retoma do controlo do território, em detrimento do Hezbollah.
JTM com Lusa e agências internacionais



