A China advertiu que as últimas tarifas impostas pelo Presidente norte-americano podem prejudicar as relações comerciais entre os dois países, no final de conversações de alto nível em Paris. Li Chenggang, representante comercial internacional da China, afirmou que Pequim manifestou séria preocupação com as investigações comerciais sobre a produção em países estrangeiros, iniciadas pela administração Trump depois de o Supremo Tribunal dos EUA ter derrubado as tarifas anteriores. “Estamos preocupados que os possíveis resultados destas investigações possam interferir ou prejudicar as relações económicas e comerciais estáveis e arduamente conquistadas entre a China e os EUA”, disse Li aos jornalistas. Afirmou que discutiram a possível extensão das tarifas e medidas não tarifárias de ambos os lados e que a China expressou preocupação com a provável incerteza enquanto os EUA ajustam as suas medidas. Segundo Li, ambos os lados concordaram em envidar esforços para manter as tarifas estáveis. A reunião teve como objectivo preparar a viagem planeada de Trump à China dentro de cerca de duas semanas, embora o presidente tenha avisado que pode ser adiada. Li não abordou este assunto e não respondeu a perguntas. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, que liderou a delegação dos EUA em Paris, disse que as conversações “foram construtivas e demonstram a estabilidade na relação”. “O objectivo destas reuniões é evitar qualquer retaliação”, frisou. A visita de Trump à China seria a primeira de um Presidente dos EUA desde a sua primeira visita em 2017, e aconteceria cinco meses após o seu encontro com o Presidente Xi Jinping na cidade sul-coreana de Busan. A guerra com o Irão surgiu como potencial obstáculo numa altura em que os EUA e a China procuravam restabelecer as relações após uma guerra tarifária em que os impostos sobre as importações dispararam para os três dígitos. Os dois lados concordaram posteriormente com uma trégua de um ano. O representante do Comércio dos EUA, Jamieson Greer, que acompanhava Bessent, disse que as conversações delinearam “os termos gerais de um plano de trabalho” para um encontro entre Trump e Xi, de modo a que pudesse produzir “resultados concretos”. Disse que também abordaram as investigações comerciais que dizem respeito à China. “Iniciámos estas conversas, na verdade, dando-lhes uma antevisão do que estamos a fazer em relação à política comercial dos EUA, enquanto nos adaptamos ao Supremo Tribunal”, afirmou Greer. “Lembrem-se: a política comercial do Presidente não mudou. As nossas ferramentas podem mudar, e estamos a conduzir estas investigações. Não queremos prejulgá-las, e tivemos uma boa conversa com os nossos homólogos sobre este processo”.
JTM com agências internacionais



