epa12211759 Tourists walk past a 'Made in Vietnam' store at a street in Hanoi, Vietnam, 03 July 2025. The United States has reached a trade agreement with Vietnam, according to a social media post made by US President Donald Trump. Trump said the US will impose a 20 percent tariff on Vietnamese exports to the country and a 40 percent tariff on trans-shipments from third countries routed through Vietnam, while Vietnam will accept US goods with zero tariffs.  EPA/LUONG THAI LINH
epa12211759 Tourists walk past a 'Made in Vietnam' store at a street in Hanoi, Vietnam, 03 July 2025. The United States has reached a trade agreement with Vietnam, according to a social media post made by US President Donald Trump. Trump said the US will impose a 20 percent tariff on Vietnamese exports to the country and a 40 percent tariff on trans-shipments from third countries routed through Vietnam, while Vietnam will accept US goods with zero tariffs. EPA/LUONG THAI LINH

As cartas chegaram em ondas, expondo as consequências para o Japão, Coreia do Sul, Malásia, Indonésia, Tailândia e outros países de não conseguirem fechar um acordo a tempo de evitar as tarifas elevadas anunciadas unilateralmente pelo Presidente dos EUA, no início de Abril e depois suspensas até 9 de Julho. Trump começou pelos aliados da Ásia Oriental, dizendo ao Primeiro-Ministro japonês, Shigeru Ishiba, e ao Presidente sul-coreano, Lee Jae Myung, que as suas exportações para os EUA teriam tarifas de 25% a partir de 1 de Agosto. Nas horas seguintes, a maioria dos países do Sudeste Asiático também recebeu cartas da Casa Branca. Para a Malásia e Indonésia, ambas em negociações agitadas para fechar um acordo, Trump impôs tarifas recíprocas de 25% e 32%, respectivamente. A Tailândia foi informada de que esperará 36%, enquanto Laos e Myanmar enfrentam 40% cada. Estas taxas estão em grande parte em linha com o anúncio de Trump em Abril, quando chocou a região ao anunciar algumas das tarifas mais elevadas. As novas taxas para a Malásia e o Japão foram ligeiramente superiores aos 24% anunciados anteriormente. Para o Laos e Myanmar, marcaram uma ligeira descida face aos anteriores 48% e 44%, respectivamente. Não houve explicação para os ajustes. O Camboja recebeu uma surpresa: uma tarifa de 36%, muito inferior aos 49% do anúncio original. No total, 14 países receberam cartas – com texto quase idêntico – que foram também publicadas no “Truth Social”. Os parceiros comerciais dos EUA enfrentarão ainda tarifas sectoriais sobre a exportação de artigos como automóveis (25%), bem como aço e alumínio (50%), o que afectará duramente potências transformadoras como a China, o Japão e a Coreia do Sul Além disso, as mercadorias reexportadas – fabricadas num país, mas enviadas a partir de outro – enfrentarão tarifas mais elevadas e ainda não especificadas. Se os países optarem por retaliar com tarifas sobre os produtos americanos, Washington afirmou que responderá na mesma moeda. A mensagem para os países destinatários é inequívoca: fechem acordos comerciais dentro de três semanas ou enfrentem tarifas mais elevadas. No entanto, o estilo errático de negociação de Trump também representa um problema de credibilidade para a Casa Branca. Sugeriu que o prazo de 1 de Agosto poderia ser outro objectivo em mudança, afirmando que as últimas notificações “não eram 100% definitivas” numa conferência de imprensa na Casa Branca, um dia antes de parecer mudar de ideias, quando afirmou no “Truth Social” que “nenhuma extensão será concedida”. “Isto é uma repetição”, disse William Alan Reinsch, especialista em economia e negócios internacionais do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais. “Trata-se de uma tentativa de pressionar as nações a fazerem mais concessões, uma vez que é claro, do ponto de vista dos EUA, que nenhuma delas ofereceu o suficiente até agora”, observou. “A questão óbvia é: com a aproximação de 1 de Agosto e ainda sem acordos, será que Trump vai prolongar novamente o prazo – e talvez aumentar as tarifas – ou será que as vai mesmo impor?”

Ásia reage com cautela

Um comentário no jornal oficial “Diário do Povo”, reiterou a opinião de Pequim de que as tarifas de Trump equivalem a “intimidação” e que o diálogo e a cooperação são “o único caminho correcto”. Pequim não está entre os 14 destinatários do aviso sobre tarifas, mas as duas maiores economias do mundo estão presas numa trégua frágil. O Secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, afirmou que esperava reunir-se com o seu homólogo chinês nas próximas semanas para mais negociações. A Malásia, que recebeu esta semana o Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, e outras autoridades de alto nível durante a reunião dos MNE da ASEAN, tem repetidamente manifestado confiança na negociação de uma tarifa mais baixa, especialmente para sectores críticos de exportação, como a electrónica. “Embora reconheçamos as preocupações levantadas pelos EUA em relação aos desequilíbrios comerciais e ao acesso ao mercado, acreditamos que o envolvimento e o diálogo construtivos continuam a ser o melhor caminho a seguir”, afirmou o Ministério do Investimento, Comércio e Indústria da Malásia em comunicado. Um alto responsável comercial da Malásia disse que o lado positivo – se é que existe algum – é que a Malásia está “no mesmo clube” que os aliados de Washington, Japão e Coreia do Sul. Os três países esperavam tarifas mais baixas, mas as taxas anunciadas ficaram além das expectativas. Na Indonésia, maior economia do Sudeste Asiático, os analistas observaram que apenas uma pequena parcela das exportações do país será afectada. A tarifa de 32% representa um risco macroeconómico limitado para a Indonésia, dado que as exportações para os EUA representam apenas cerca de 3%.

 

JTM com agências internacionais