O Governo de Hong Kong vai “acompanhar seriamente” casos de professores detidos durante os protestos, por temer que a violência se tenha tornado norma nas escolas, disse ontem Carrie Lam
Em conferência de imprensa, que antecedeu a reunião semanal do Conselho Executivo, Carrie Lam salientou que 40% das seis mil pessoas detidas nos últimos seis meses de protestos são estudantes, totalizando 2.393. A Chefe do Executivo de Hong Kong afirmou estar muito preocupada pelo facto das detenções incluírem alunos de cerca de 300 escolas secundárias.
A violência “entrou nos ‘campus’ das escolas” e isso afecta a segurança dos alunos, disse, acrescentando ter já encarregado o Secretário para a Educação, Kevin Yeung, de investigar os professores detidos nos protestos. A governante instou ainda as escolas a impedirem os seus alunos de participar em “actividades ilegais”.
Na segunda-feira, a polícia deteve 10 homens e duas mulheres, com idades compreendidas entre 14 e 39 anos, num estacionamento em Sheung Shui e apreendeu armas caseiras. Entre os detidos estão um professor e seis alunos, de escolas distintas.
O superintendente-chefe da polícia, Kenneth Kwok Ka-chuen, mostrou-se alarmado com a presença de um professor entre os detidos. Os professores “devem ter uma posição clara contra a violência” e “impedir que os alunos continuem com esses actos destrutivos”, afirmou.
Por outro lado, a polícia descobriu duas bombas de fabrico caseiro perto da escola secundária Wah Yan. “Ambos os dispositivos têm apenas uma função: matar e mutilar pessoas”, advertiu o responsável do Departamento de Desactivação de Explosivos da Polícia, Alick McWhirter. “Dada a quantidade de explosivos e fragmentação, se esses dispositivos tivessem sido colocados e se tivessem funcionado, eles teriam matado e ferido um grande número de pessoas”, acrescentou.
Segundo McWhirter, os dois artefactos continham, no total, 10 quilos de potentes explosivos e poderiam ser activados com um telemóvel. As bombas, com nitrato de amónio, tinham pregos para causar mais danos.
Os responsáveis da escola asseguraram não ter encontrado “qualquer prova de professores ou alunos terem sido responsáveis por colocar ou fabricar” engenhos explosivos. “O local onde as bombas foram descobertas pertencia à escola, mas é uma área aberta fora dos portões e por isso acessível ao público”, disse a escola, em comunicado.
Segundo o “South China Morning Post”, Carrie Lam voltou a reiterar, ainda na conferência de imprensa, que não pretende fazer mudanças na equipa governativa, depois de vários órgãos da comunicação social locais terem noticiado que a Secretária para a Justiça, Teresa Cheng Yeuk-wah, pediu a demissão no mês passado.
“De tempos em tempos, nos últimos meses, sempre houve alguns rumores e especulações sobre uma mudança de equipa, incluindo os principais funcionários e os conselheiros executivos”, disse a Chefe do Executivo, sublinhando que, actualmente, a sua “primeira prioridade” é “restaurar a lei e a ordem em Hong Kong”.
JTM com Lusa e agências internacionais



