O Governo cabo-verdiano negou que haja um surto de infecções gastrointestinais na ilha do Sal, refutando notícias publicadas, no domingo, no Reino Unido, que associam a morte de quatro turistas britânicos a férias passadas na ilha. “Não existem evidências epidemiológicas públicas que confirmem um surto activo de shigelose em Cabo Verde e os dados disponíveis não sustentam a interpretação apresentada na notícia”, afirmou o ministro da Saúde, Jorge Figueiredo, numa conferência de imprensa, na cidade da Praia. O governante referiu que a informação pode causar “percepções alarmistas injustificadas” sobre os serviços de saúde em Cabo Verde e que os casos necessitam de investigação detalhada antes que se estabeleça qualquer associação às estadias. Jorge Figueiredo referiu ainda que os episódios “representam, estatisticamente, ocorrência residual, sem evidência de padrão epidemiológico sustentado nem alteração do perfil sanitário nacional”. O ministro disse também que o país dispõe de um sistema de vigilância sanitária e epidemiológica sólido, reconhecido internacionalmente, que posiciona o país entre os mais seguros do continente africano. Jorge Figueiredo referiu que, perante casos de diarreia detectados pela vigilância sanitária, no final de 2025, na ilha da Boa Vista, o Ministério accionou a Inspecção-Geral das Actividades Económicas (IGAE) e outras entidades, mas não foi estabelecida relação entre os casos e qualquer surto infeccioso. Seja como for, passaram a realizar-se encontros semanais nas ilhas do Sal e Boa Vista para acompanhar a situação e recomendar medidas ao sector privado, sobretudo na segurança alimentar. Segundo os artigos publicados no domingo, as famílias de quatro turistas britânicos associam as mortes, entre Agosto e Outubro de 2025, a infecções gastrointestinais contraídas na ilha do Sal e pretendem avançar com uma acção judicial contra o operador turístico TUI e a cadeia hoteleira RIU. Os textos reúnem testemunhos de familiares e do advogado que os representa e foi replicado por diversos meios e divulgado nas redes sociais. Um boletim do Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC, sigla em inglês), publicada a 5 de Dezembro, deu conta de relatos de shigelose entre viajantes que regressaram de Cabo Verde para a União Europeia, Reino Unidos e EUA desde Setembro de 2022. “No final de Novembro de 2025, cinco países reportaram novos aumentos no número de casos infectados” e “as entrevistas aos casos afectados em 2025 indicam que está envolvida a mesma cadeia de hotéis e resorts” descrita em situações anteriores, lê-se no documento actualizado semanalmente. “Este é um surto recorrente de doenças gastrointestinais, onde a causa subjacente da transmissão justifica uma investigação mais aprofundada para que possam ser implementadas medidas de mitigação para prevenir novos casos”, terminou o boletim. Questionado pela Lusa sobre esta nota da ECDC, o ministro da Saúde disse ter conhecimento do documento e reiterou a posição de ausência de qualquer surto activo e de haver reforço de vigilância – remetendo para uma situação semelhante, há três anos, em que uma investigação descartou a ocorrência de um surto. Face a alertas, entre Setembro de 2022 e Março de 2023, realizaram-se investigações independentes, cujos resultados “não permitiram confirmar a ocorrência de um surto de shigelose nos hotéis da cidade de Santa Maria, ilha do Sal”, segundo as conclusões publicadas na altura. O sector turístico é um motor da economia cabo-verdiana, que em 2024 registou quase um milhão de hóspedes, um recorde para o arquipélago.

 

Oposição denuncia excesso de contratações públicas em Timor-Leste

O Partido de Libertação Popular (PLP, oposição) de Timor-Leste, do antigo primeiro-ministro Taur Matan Ruak, acusou o Governo de um elevado número de contratações para os serviços públicos, sem ganhos correspondentes em produtividade. “De acordo com os dados apresentados pelo Governo em 2025, o total da força de trabalho no sector público, classificada como funcionários permanentes, é de 39.236. Já os trabalhadores ocasionais, apoios políticos, contratos a termo certo, assessores nacionais e internacionais somam 35.323, totalizando 74.559 pessoas”, afirmou a deputada Angelina Sarmento, numa sessão parlamentar. Angelina Sarmento considerou as contratações como pouco prudentes e com tendência para gastar dinheiro sem uma análise de custo-benefício, reflectindo um estilo de governação marcado pelo desperdício e pelo luxo. Segundo a deputada, o Orçamento Geral do Estado para 2025 tinha um montante superior a 474 milhões de dólares para pagar salários, mas revelou-se insuficiente. “Estão a ser realizados recrutamentos em massa de trabalhadores ocasionais, apoios políticos e assessores, sem limites nem controlo por parte dos membros do Governo”, afirmou. Acusou ainda o Governo de contratar pessoas para responder às promessas eleitorais do partido Congresso Nacional de Reconstrução de Timor-Leste, actualmente no poder. A deputada apelou ao Governo para que, em 2026, pondere uma racionalização da função pública, para colmatar a situação e alertou o Governo para a sustentabilidade do Fundo Petrolífero, que poderá terminar em cerca de 10 anos. Por sua vez, o ministro dos Assuntos Parlamentares, Adérito Hugo, defendeu que o elevado número de funcionários não é apenas responsabilidade do actual Governo, mas resulta também dos governos anteriores, que criaram empresas e institutos públicos. “Os governos anteriores criaram empresas e institutos públicos sem gerar receitas para o Estado. Mesmo assim, pagavam salários elevados e criaram muitos cargos de chefia”, respondeu Adérito Hugo à deputada do PLP.

 

Lula da Silva envia ao Congresso acordo UE-Mercosul para ratificação

O Presidente do Brasil enviou ao Congresso o acordo comercial entre a União Europeia (UE) e o Mercosul para dar início ao processo de ratificação. “O novo bloco detém um quarto do PIB mundial e reúne uma população de 720 milhões de consumidores. Tenho certeza de que o Congresso Nacional não medirá esforços para, no menor prazo possível, internalizar esse acordo”, frisou Lula da Silva numa mensagem escrita ao Congresso, para assinalar o primeiro dia das sessões legislativas de 2026 O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, também se referiu ao acordo num discurso durante a sessão solene conjunta de ambas as câmaras legislativas, tendo prometido uma tramitação rápida. “O tão esperado acordo entre a União Europeia e o Mercosul é um marco histórico que inaugura uma etapa relevante de integração e de oportunidades para o Brasil”, disse. O acordo foi assinado no dia 17 de Janeiro, numa cerimónia em Assunção, capital do Paraguai, para entrar em vigor terá de ser ratificado por pelo menos um país do Mercosul e pela UE. O Parlamento Europeu não pode ratificar o acordo até que o Tribunal de Justiça da UE se pronuncie, mas, do ponto de vista legal, a Comissão Europeia poderia decidir começar a aplicá-lo de forma provisória, sem esperar pela Parlamento Europeu. A Comissão Europeia ainda não esclareceu se irá implementá-lo provisoriamente, embora o presidente do Conselho Europeu, António Costa, tenha instado o executivo comunitário a aplicar o acordo assim que seja ratificado por algum dos parceiros do Mercosul.

 

Moçambique constrói fábrica de cimento avaliada em 280 milhões USD

O ministro da economia moçambicano lançou a primeira pedra para a construção de uma fábrica de clínquer e cimento, com capacidade anual de um milhão de toneladas, no centro de Moçambique. A fábrica é “um investimento estruturante enquadrado no Programa Nacional de Industrializar Moçambique”, segundo o Ministro da Economia, Basílio Muhate, citado numa mensagem do ministério da Economia em que é anunciado o avanço do projecto, no distrito de Chibabava, província de Sofala. Com um investimento de 280 milhões de dólares, o empreendimento de capitais chineses contará com uma potência instalada de 28 megawatts (MW), “posicionando-se entre os mais relevantes empreendimentos industriais do sector de materiais de construção no país”. “Com a entrada em funcionamento da unidade, o Governo espera reduzir significativamente as importações de cimento, melhorar a balança comercial, aumentar a oferta interna e reduzir os custos de construção, com impactos positivos na habitação, nas infra-estruturas e no desenvolvimento económico”, lê-se na nota. Sem avançar números, o Ministério da Economia refere que o empreendimento vai criar empregos directos e indirectos, com especial incidência na juventude local, associada à formação técnica, transferência de conhecimento e valorização do capital humano moçambicano. O ministério explica ainda que, a fábrica apresenta potencial de abastecimento regional e exportação para os mercados da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) e da Zona de Comércio Livre Continental Africana (ZCLCA), reforçando, em simultâneo, a cooperação económica entre Moçambique e a República Popular da China. O Presidente do Conselho de Administração da Sino Harbor Construction Group, um dos investidores, Cheng Biao, refere que, após a conclusão, prevista para 2027, o projecto dará um novo impulso à construção de infra-estrutura e ao desenvolvimento industrial de Moçambique, promovendo a prosperidade económica local e melhorando o padrão de vida da sua população de diversas maneiras. “Acreditamos firmemente que, com o forte apoio do Governo moçambicano em todos os níveis e dos nossos parceiros, e com os esforços conjuntos da equipe do projecto e de todos os construtores, alavancaremos nossos pontos fortes em financiamento, tecnologia, gestão e talento para garantir o bom andamento do projecto e sua conclusão bem-sucedida e dentro do prazo”, concluiu Biao.