O Governo cabo-verdiano e uma
empresa chinesa de engenharia assinaram um memorando de entendimento para projectos
de médio e longo prazo no arquipélago nas áreas da energia, água, agricultura e
desenvolvimento regional. “Este memorando incide sobre áreas fundamentais
para o projecto de governação que nós temos para Cabo Verde. A questão da
sustentabilidade energética, da agricultura e da água, do corredor de
desenvolvimento a partir da ilha de São Vicente, são questões fundamentais para
o país que nós estamos a construir neste momento”, afirmou o PM
cabo-verdiano, Francisco Carvalho, na cerimónia de assinatura na cidade da
Praia. O documento foi assinado pelo ministro da Coordenação de Projectos e
Acesso a Fundos, José Carlos Varela, e por Wang Bo, representante da China Machinery Engineering Corporation (CMEC),
numa cerimónia que contou com a presença do embaixador da China em Cabo Verde,
Zhang Yang. Francisco Carvalho disse que o processo de
desenvolvimento do arquipélago exige a combinação de diferentes sectores e
regiões para construir “um Cabo Verde para todos”. O chefe do Governo
destacou a importância do reforço da cooperação bilateral e defendeu que o
acordo se deve traduzir em resultados práticos rápidos. “Que a assinatura
deste memorando de entendimento seja um passo que nós estamos a dar
relativamente às iniciativas concretas com impacto directo na vida de todos os
cabo-verdianos. Que venham os projectos”, declarou o primeiro-ministro. O
representante da empresa chinesa, Wang Bo, explicou que a actuação da
multinacional vai abranger o sector energético, com a modernização e
reabilitação das centrais termoeléctricas existentes e a construção de unidades
de produção limpa. O documento contempla também o armazenamento de electricidade,
o reforço da rede e a criação de infra-estruturas para a mobilidade eléctrica. Nos recursos
hídricos e na agricultura, o plano aposta em tecnologias de dessalinização da
água do mar, reutilização de águas residuais, sistemas de rega de precisão e
gestão inteligente para combater a escassez e impulsionar a produção agrícola. Estão ainda previstas intervenções na frente marítima e na
orla costeira de São Vicente, em articulação com as ilhas circundantes, para
criar um corredor de desenvolvimento no norte do país. Por seu lado, o
embaixador da China em Cabo Verde, Zhang Yang, lembrou que a assinatura do
acordo coincide com os 50 anos das relações diplomáticas entre os dois países e
com a elevação do relacionamento bilateral a parceria estratégica. O diplomata
garantiu que a embaixada continuará a apoiar a presença de empresas chinesas no
arquipélago para “elevar a cooperação a um novo patamar”.
Timor-Leste vai
negociar
empréstimo para
abastecimento
de água em
Baucau
Timor-Leste vai negociar um
empréstimo com o Banco Mundial para financiar um projecto de 30 milhões de USD para
abastecimento de água à cidade de Baucau, para beneficiar mais de 37.000
pessoas, anunciou o Governo. A decisão, tomada em reunião do Conselho de
Ministros, autoriza a ministra das Finanças de Timor-Leste, Regina de Jesus, a
negociar o empréstimo com o Banco Mundial, através da Associação Internacional
de Desenvolvimento. O projecto de Abastecimento de Água da Capital Municipal de
Baucau está integrado na segunda fase da iniciativa regional de Segurança e
Resiliência Hídrica do Banco Mundial. Segundo o comunicado do Conselho de
Ministros, o projecto visa aumentar o acesso a serviços de abastecimento de
água geridos de forma segura em áreas seleccionadas de Baucau com a construção
e operacionalização de um sistema com capacidade para beneficiar 37.000 pessoas
até 2031. “O projecto contempla a reabilitação e
expansão das fontes e sistemas de bombagem existentes, a construção de novas
captações, estações de bombagem, condutas, instalações de tratamento e
armazenamento, bem como a instalação de cerca de 7.000 ligações domésticas”,
pode ler-se no comunicado. O financiamento previsto de 30 milhões de dólares
(cerca de 26 milhões de euros) deverá ser concedido com um período de carência
de 10 anos e maturidade de 40 anos e inclui uma opção de diferimento dos
pagamentos em emergências nacionais relacionadas com eventos climáticos,
acrescenta o Conselho de Ministros.
Banco de
Moçambique reduz
para metade limite
de pagamentos
com cartão no
exterior
O Banco de Moçambique reduziu para
metade, de seis para três milhões de meticais, o limite anual de pagamentos ao exterior
com cartões bancários por cliente, reforçando ainda mecanismos de controlo
destas operações. A decisão consta do Aviso nº 4/GBM/2026, a que a Lusa teve
acesso e que revoga quase sete meses depois o aviso anterior, em vigor desde Dezembro
do ano passado, com o banco central a justificar a medida com a necessidade de
“ajustar os limites de pagamentos efectuados através de cartões bancários
nas operações sobre o exterior”. Tal como no regime anterior, que em Dezembro
passou a estabelecer limites – além das regras de cada banco -, a alteração
aplica-se a todas as instituições de crédito sujeitas à supervisão do Banco de
Moçambique e às pessoas singulares e colectivas titulares de cartões emitidos
em Moçambique, sejam residentes ou não residentes cambiais.
A restrição surge
num contexto em que a escassez de divisas continua a ser apontada pelo sector
empresarial como um dos principais constrangimentos à actividade económica.
Desmantelada
rede que decapitava
pessoas por
crenças no feiticismo
no leste de
Angola
Quatro homens foram detidos em
Angola por suspeita de pertencerem a uma rede que alegadamente decapitava
pessoas na zona de Moxico-Leste, em Angola, por crenças ligadas ao feiticismo,
anunciou hoje o Serviço de Investigação Criminal (SIC). A direcção provincial
do Moxico-Leste daquele organismo informou, em comunicado, que os suspeitos
estão em prisão preventiva e que, com estas detenções, foi “desmantelada uma
rede criminosa que praticava homicídios por decapitação”. Classificados como
“principais autores” desta prática, os suspeitos foram detidos no Luena,
Moxico-Leste, numa operação coordenada entre o SIC e os demais órgãos de Defesa
e Segurança, naquela localidade. Aos detidos é atribuída a autoria de
“repugnantes crimes” que “vinham causando sentimento de insegurança no seio das
populações”, divulgou o SIC. De acordo com o comunicado, as vítimas são quatro
cidadãos “considerados vulneráveis, pessoas com perturbações mentais, cujos
corpos foram encontrados sem a cabeça”. Os crimes ocorreram “no decurso do
corrente” ano, lê-se no comunicado, que adianta que os suspeitos têm entre 19 e
30 anos. O Serviço de Investigação Criminal apurou, durante a investigação, que
“os acusados são confessos no envolvimento destes crimes, alegando crenças
associadas ao feiticismo e interesses de enriquecimento ilícito”. O SIC apurou ainda que os factos “apontam para a possível
existência de uma estrutura criminosa organizada em células, envolvendo
presumíveis mandantes, cidadãos estrangeiros provenientes da República
Democrática do Congo (RDCongo), intermediários responsáveis pelo transporte das
cabeças humanas e executores dos homicídios”. As autoridades prosseguem com
diligências “para esclarecimento total dos crimes, bem como a detenção de
outros possíveis integrantes da rede que actuam como mandantes”. O SIC informa
ainda que, também nesta região de Angola, deteve mais dois homens, de 44 e 45
anos, acusados de um duplo homicídio por crenças de feiticismo, em que as
vítimas tinham 49 e 59 anos. Os implicados são irmãos e terão acusado as
vítimas de práticas de feitiçaria, na sequência da morte de um familiar por
doença prolongada, informa o SIC. “Movidos por essa crença, os suspeitos terão
agredido violentamente as vítimas com recurso a objectos contundentes (paus),
causando-lhes lesões que culminaram nas respectivas mortes”, acrescenta.
Flávio
Bolsonaro e Michelle
juntam forças
após
meses de atrito
O candidato a Presidente do Brasil
Flávio Bolsonaro e a sua madrasta e candidata ao Senado, Michelle Bolsonaro, gravaram
conjuntamente um vídeo de campanha eleitoral, após meses de desavenças
públicas. Ao deixar o local de gravação em Brasília na terça-feira, Michelle
Bolsonaro declarou à imprensa que os dois colocaram «as desavenças de lado» e
se uniram “em prol de algo muito maior para a nação, graças a Deus”. Em
Junho, Michelle publicou um vídeo em que dizia ter sido maltratada e humilhada
por Flávio Bolsonaro, e que os dois não se falavam desde o fim de 2025, devido
a discussões. A ex-primeira-dama brasileira, de 44 anos, é candidata ao senado
pelo Distrito Federal (Brasília), pelo Partido Liberal (PL). A campanha
eleitoral no Brasil começa no dia 16, sendo autorizada propaganda na internet,
comícios, acções de rua e distribuição de material de campanha. Já a propaganda
eleitoral gratuita nas rádios e televisões brasileiras começam no dia 28 e
terminam em 1 de Outubro, três dias antes da primeira volta. Michelle e Flávio sinalizaram no dia 24 de Julho
reconciliação para as eleições gerais de Outubro, após o filho mais velho de
Jair Bolsonaro publicar um vídeo nas redes sociais pedindo desculpas à madrasta
e esta, horas depois, aceitar. Flávio Bolsonaro debate-se com rejeição entre o
eleitorado feminino, conforme apontam as sondagens de intenção de voto, e nas
últimas semanas tentou atrair partidos de centro em busca de uma mulher como
candidata a vice-presidente, mas sem sucesso junto dos partidos Podemos e
Progressistas.
Maputo avança
com processo
disciplinar a
militares que
circulavam
armados em Manica
O Governo moçambicano está a
preparar um processo disciplinar contra agentes das Forças de Defesa e
Segurança (FDS) que circulavam armados no distrito de Macossa, província de
Manica, no centro do país, admitindo que não deveriam ter actuado daquela
forma. Em causa está a circulação, desde a semana passada, de imagens,
sobretudo através dos órgãos de comunicação social locais, mostrando homens não
identificados empunhando armas do tipo AK-47 a circular por comunidades daquela
região do centro do país, onde existem algumas minas de ouro, situação que
gerou pânico entre a população. “Felizmente, foram identificados. São efectivamente
agentes da corporação e, neste caso, o sector específico está a tratar da
matéria sob o ponto de vista disciplinar, porque não deviam ter actuado daquela
forma, nem confundir as populações, como aconteceu, gerando o susto que gerou”,
disse hoje aos jornalistas o porta-voz do Conselho de Ministros, Inocêncio
Impissa. O governante falava em Maputo, após a reunião
semanal do executivo, tendo frisado que o Ministério da Defesa Nacional está a
tratar das questões de natureza disciplinar relacionadas com os agentes
envolvidos. “Não é a forma habitual de actuação dos militares, da Polícia ou de
outras entidades. Existem instituições autorizadas a actuar daquela forma ou à
paisana, mas não os membros do Ministério da Defesa Nacional, como vimos”,
acrescentou Impissa. A 9 de Julho, o procurador-geral da República alertou,
durante uma visita à província, para a circulação de homens armados em áreas de
exploração mineira de Macossa, apelando a esforços colectivos para travar estes
actos. “Queria pedir aos meus irmãos aqui que cada um de nós seja vigilante.
Não podemos admitir nem aceitar que apareça quem quer que seja para nos
instigar a fazer aquilo que está a acontecer em Cabo Delgado. Porque, se isso
acontecer, vamos continuar a explorar a mina? Não. Só conseguimos explorar a
mina porque estamos aqui em paz”, apelou na altura Américo Letela. A exploração
mineira no distrito de Macossa centra-se sobretudo na extracção de ouro,
registando-se igualmente a ocorrência de minerais associados e de pedras
preciosas e semipreciosas, como a turmalina e a granada.
Dez detidos e
armas apreendidas
em operação
policial
na ilha de
Santiago
Um total de 10 pessoas foram
detidas e armas, munições e 140 porções de substâncias suspeitas de serem
ilícitas apreendidas numa operação policial realizada sábado em Santiago Sul,
anunciou a Polícia Nacional (PN) de Cabo Verde. Segundo um comunicado, 10
pessoas foram detidas em “flagrante delito, estando indiciados pela
prática dos crimes de posse de armas brancas e de substâncias
psicotrópicas”. A operação, realizada no âmbito do plano operacional de
segurança – verão 2026, envolveu várias unidades da PN, nomeadamente a Direcção
Central da Investigação Criminal, o Comando das Unidades Especiais, o Centro de
Comando e Controlo, a Direcção de Estrangeiros e Fronteiras e a Guarda Fiscal,
com a colaboração da Polícia Municipal. No decorrer da
operação foram apreendidas uma munição, 11 armas brancas, um taco de basebol,
dois gorros e 140 porções de substâncias suspeitas de serem ilícitas. A PN
indicou ainda que 693 pessoas foram abordadas e submetidas a revista de
segurança na via pública. Na fiscalização rodoviária, foram controlados 219
veículos, dos quais 10 foram apreendidos, tendo sido aplicadas coimas no valor
global de 255 mil escudos. Foram igualmente fiscalizados 24 estabelecimentos
comerciais, tendo a intervenção policial abrangido ainda o controlo de cidadãos
estrangeiros, a fiscalização marítima, a manutenção da ordem pública e a
investigação criminal. A operação teve como objectivo a prevenção e o combate à
criminalidade, bem como a garantia da ordem, segurança e tranquilidade
públicas, segundo a PN.



