Ao assumir o cargo, o novo primeiro-ministro trabalhista britânico, Andy Burnham, prometeu um “plano de 10 anos” para recolocar o Reino Unido no rumo certo, acrescentando que o país precisa de “recuperar a sua estabilidade”. Ao chegar à residência oficial do PM britânico, no número 10 de Downing Street, em Londres, Burnham afirmou que o seu plano incluirá, entre outras medidas, uma reforma do sistema educacional, a re-industrialização, a construção de habitação pública e o compromisso de “erradicar o fenómeno das pessoas em situação de rua” no país. O novo líder trabalhista, de 56 anos, que assume o cargo após a renúncia, há quase um mês, de seu correligionário e antecessor no governo, Keir Starmer, também prometeu agir “agora para oferecer algum alívio às pessoas e ajudá-las a enfrentar o custo de vida”. Burnham anunciou ainda apoio “de 100%” ao presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, no seu conflito com a Rússia, assim como Starmer. Burnham fez essas promessas diante da entrada de Downing Street, dirigindo-se a numerosos apoiantes e colaboradores, sem anotações e sem o tradicional púlpito utilizado pelos seus antecessores. Pouco antes, o novo PM tinha-se reunido com o rei Carlos III, que o encarregou de formar o novo governo. Starmer anunciou a renúncia em 22 de Junho, menos de dois anos após a sua vitória eleitoral, depois dos péssimos resultados nas sondagens e da derrota sofrida pelo Partido Trabalhista nas eleições regionais e municipais de Maio. O número de deputados trabalhistas que pediam a sua saída crescia, e a sua popularidade estava a diminuir devido a vários escândalos e à estagnação da economia. Os trabalhistas encerraram 14 anos de governos conservadores em 4 de Julho de 2024, mas Starmer não conseguiu permanecer no cargo até o fim da legislatura, em 2029. Contudo, ao deixar Downing Street, Starmer afirmou estar “orgulhoso” do seu trabalho à frente do governo e acrescentou que o país está “mais forte e mais justo” desde que chegou ao poder, em 2024. Burnham, autarca da Grande Manchester entre 2016 e 2027, alcançou grande popularidade com as suas políticas, e os trabalhistas consideravam-no como a sua melhor aposta para conter as críticas. Nenhum outro candidato trabalhista se atreveu a enfrentá-lo, e Burnham chegou às eleições internas da semana passada com o apoio de 379 dos 403 parlamentares do partido na Câmara dos Comuns. Starmer não conseguiu conquistar as bases trabalhistas e, durante os dois anos no cargo, o partido perdeu apoio nas sondagens, enquanto crescia a popularidade do partido populista de direita anti-imigração Reform UK. No novo governo trabalhista, que poderá ser anunciado em breve, a principal dúvida entre os analistas políticos é quem ocupará o cargo de ministro das Finanças, em substituição a Rachel Reeves. Um dos nomes mais mencionados é o de Shabana Mahmood, até agora ministra do Interior, cargo no qual chamou atenção por adoptar uma política rígida de imigração. A vice-líder do Partido Trabalhista, Lucy Powell, afirmou no domingo que a experiência de Burnham como prefeito, distante do centro do poder em Londres, significa que compreende as “medidas mais amplas e ousadas” necessárias para cumprir as promessas do programa eleitoral do partido. Entre os desafios mais urgentes estão uma economia fraca, os elevados custos do endividamento do governo, o aumento dos gastos com benefícios sociais e a chegada de migrantes em situação irregular em pequenas embarcações, fenómeno que impulsionou o apoio ao Reform UK. Sétimo PM britânico numa década, Andy Burnham comprometeu-se a “devolver a esperança” aos cidadãos. O primeiro anúncio do novo governo ocorreu na noite de sábado, quando um porta-voz informou a retirada do projecto de documento nacional de identidade digital, medida promovida por Starmer para combater o emprego de imigrantes em situação irregular. Segundo a imprensa britânica, Andy Burnham poderá autorizar o desenvolvimento de novos campos de petróleo e gás no mar do Norte.

 

JTM com agências de notícias ocidentais