Protagonizando uma batalha de bilionários, Sheldon Adelson e Warren Buffett estão em competição directa para definir quem controlará a electricidade em Las Vegas e no restante estado de Nevada

 

Grande doador do Partido Republicano e fundador da Las Vegas Sands, empresa-mãe da Sands China, operadora do jogo em Macau, Sheldon Adelson apoia uma iniciativa que será votada hoje no estado do Nevada visando permitir aos clientes que escolham o seu próprio fornecedor de electricidade a partir de 2023. A medida representa um risco para a NV Energy, empresa detida pela Berkshire Hathaway, de Warren Buffett, que detém praticamente um monopólio no estado.

A proposta conquistou 72% dos votos em 2016, mas terá de vencer uma segunda votação consecutiva para se tornar lei. Numa sondagem realizada em Setembro, a iniciativa perdia por 19 pontos percentuais, mas 16,4% dos moradores assumiram estar indecisos. Paralelamente, o sector das energias renováveis em geral não adoptou uma posição clara, alegando a falta de detalhes sobre o que poderá acontecer.

“Ao nível mais alto, há dois bilionários a brigar. É uma questão muito complicada, que provavelmente não deveria ser decidida nas urnas, considerando a incerteza que existe em torno dela”, comentou David Damore, professor de ciência política da Universidade de Nevada, em Las Vegas, citado pela agência Bloomberg.

Esta iniciativa energética, que pretende alterar a redacção na constituição estadual, originou uma das batalhas políticas mais caras no actual ciclo eleitoral dos EUA. O montante arrecadado atinge quase 100 milhões de dólares, ultrapassando os 91,6 milhões de dólares gastos na importante disputa pelo Senado dos EUA e os 40 milhões da luta pelo uso de energia no vizinho estado do Arizona.

As batalhas nos dois estados ocorrem numa altura em que o sector energético dos EUA enfrenta uma transformação histórica. As energias solar e eólica baratas, juntamente com um melhor armazenamento de bateria, estão a estimular proprietários de casas e empresas a seguir uma via independente, reduzindo o poder das empresas de serviços públicos que antigamente possuíam e distribuíam toda a electricidade.

Em Abril, um relatório dos órgãos reguladores estaduais concluiu que, se for aprovada a possibilidade de escolher o fornecedor, a NV Energy será provavelmente forçada a vender as suas centrais e a conceder contratos de compra de energia a novos proprietários. Isso poderia sobrecarregar os contribuintes de Nevada com custos de vários milhares de milhões de dólares para pagar os chamados “activos encalhados”, porém, essas despesas diminuiriam com o tempo, segundo o relatório.

Nos anúncios publicados na imprensa, a Coligação para Derrotar a Pergunta 3, apoiada pela NV Energy, sustenta que a iniciativa é “arriscada” e “cara” e que vai travar os avanços para obter mais energia renovável. Documentos oficiais mostram que a coligação arrecadou 62,3 milhões de dólares em dinheiro para prosseguir a sua luta, dos quais apenas 12 mil dólares não são provenientes da empresa.

Naturalmente, os proponentes da iniciativa estão em desacordo. “Como vimos em todo o país, os monopólios de energia não estão a funcionar para os contribuintes”, disse David Chase, do grupo “Nevadans for Affordable, Clean Energy Choices”. “Acreditamos que um mercado competitivo reduzirá as contas de energia eléctrica, criará mais empregos e será melhor para a energia renovável”.

Esse grupo arrecadou quase 33 milhões de dólares, incluindo cerca de 21,9 milhões da Las Vegas Sands.

 

JTM com agências internacionais