André Ventura (E), presidente do Chega, ladeado por  Pedro Passos Coelho, antigo primeiro-ministro e atual professor convidado do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa e da Universidade Lusíada de Lisboa, durante o lançamento do livro
André Ventura (E), presidente do Chega, ladeado por Pedro Passos Coelho, antigo primeiro-ministro e atual professor convidado do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa e da Universidade Lusíada de Lisboa, durante o lançamento do livro "Identidade e Família – Entre a Consciência da Tradição e As Exigências da Modernidade", Lisboa, 8 de abril de 2024. MANUEL DE ALMEIDA/LUSA

O ex-primeiro-ministro Pedro Passos Coelho apresentou, na segunda-feira, o livro ‘Identidade e Família’ que pretende alertar para a “destruição da família” tradicional e a “ideologia de género”. Aproveitou para elogiar o Governo e garantir que não há que ter medo de os espaços políticos “se diluírem ou confundirem entre si”. O livro reúne um conjunto de textos escritos de figuras de direita, que pretendem alertar para a “destruição da família” tradicional e sobre a “ideologia de género”, posicionando-se contra o aborto, a eutanásia e, até, a “legislação” que considera facilitar o divórcio. O antigo líder do PSD foi questionado sobre as críticas por se ter associado à visão de família de alguns autores do livro, lamentando que no espaço público existam “cada vez mais rótulos e caricaturas” apenas com a intenção de “agredir e desqualificar”. Sobre a temática do livro, defendeu como consensual que “a família representa o primeiro espaço de socialização” e que, apesar de não ser perfeita e haver muitas disfuncionais, deve ser nela que começa a transmissão de valores. Voltou também a pronunciar-se contra a despenalização da eutanásia, questionando “por que razão as políticas públicas pretendem ajudar as pessoas a morrer em vez de lhes dar condições para viver”. Passos Coelho quis ainda voltar ao tema da segurança e imigração, que causou polémica quando marcou presença na campanha eleitoral da AD. “Eu sei que há muitas pessoas sensíveis que acham um ex-primeiro-ministro não pode misturar na mesma frase imigração e segurança, apesar de uma parte significativa das políticas públicas que tratam da imigração estejam no sistema de segurança interna”, disse. Na apresentação da obra, aproveitou para elogiar o Governo liderado por Luís Montenegro por ter aprovado como primeira medida a alteração do logótipo da comunicação do executivo, exortando a que “não se fique por aqui”. Sem explicitar os destinatários, mas numa aparente referência a PSD e Chega, o antigo primeiro-ministro disse que “quando há identidades firmadas” não há que ter medo de os espaços políticos “se diluírem ou confundirem entre si”. Presente no evento esteve o líder do Chega, André Ventura, que no final fez questão de cumprimentar Passos Coelho e de o elogiar. “Foi brilhante, como sempre”, garantiu. Aos jornalistas, Ventura considerou que a intervenção de Passos Coelho tocou mais “em bandeiras do Chega, como a ideologia de género, a família ou a imigração”, considerando, por isso, que “há um caminho de convergência”. O líder socialista, Pedro Nuno Santos, considerou, por seu lado, “assustador” que Passos Coelho “tenha alinhado no discurso da extrema-direita”, pedindo aos jovens que se juntem ao combate a este “regresso ao passado”. Apontando ainda que o “Chega não hesitou em elogiar” a intervenção desta tarde de Passos Coelho, Pedro Nuno disse não acreditar que os jovens portugueses, incluindo os que votaram no Chega, aceitem que se recue na forma como se vê o relacionamento entre as pessoas.