Divergências com Theresa May motivaram as demissões dos ministros dos Negócios Estrangeiros e do Brexit, colocando em risco o futuro da Primeira-Ministra e das próprias negociações com a União Europeia
Boris Johnson e David Davis deixaram as pastas dos Negócios Estrangeiros e do Brexit, respectivamente, devido a discordâncias com Theresa May. “Não estávamos de acordo sobre o modo como materializar o resultado do referendo” de saída da União Europeia (UE), disse a Primeira-Ministra no Parlamento, três dias depois de ter instado os membros do Governo a cerrarem fileiras em torno do seu plano para manter estreitas relações comerciais com a UE após o Brexit.
Para o líder da oposição, o trabalhista Jeremy Corbyn, a unidade do governo foi uma “ilusão” que “durou 48 horas”. Segundo Corbyn, May não está capacitada para alcançar um acordo com Bruxelas, “quando nem sequer consegue alcançar um acordo com o seu próprio governo”.
Os eurocépticos mais duros, como Johnson e Davis, pretendiam cortar por completo o vínculo com os parceiros europeus – sobretudo, em termos de regulamentos e com a Justiça – preferindo avançar para acordos de livre-comércio com países como os EUA ou Austrália.
Davis rejeitou a intenção de liderar uma rebelião interna contra May. Porém, a demissão de Johnson faz crescer essa possibilidade, tendo em conta a fraqueza parlamentar da Primeira-Ministra, que depende do apoio dos unionistas norte-irlandeses para governar.
A nomeação de Boris Johnson em 2016 causou enorme surpresa, devido à percepção de que o ex-“mayor” de Londres ambicionava o cargo de May e esperaria o melhor momento para conseguir isso. Também foi vista como uma “bofetada” por Bruxelas, já que Johnson foi o principal líder da campanha de saída da UE.
O presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, já advertiu que a renúncia dos ministros poderá provocar um recuo no Brexit. “Os políticos vão e vêm, mas os problemas que criaram para as pessoas permanecem. Só posso lamentar a ideia de que o Brexit não tenha ido com Davis e Johnson. Mas… Quem sabe?”, escreveu Tusk, no “Twitter”
O líder da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, comentou a renúncia de Johnson com ironia. “Isso mostra claramente que em Chequers havia uma grande unidade de pontos de vista no seio do governo britânico”, afirmou.
JTM com agências internacionais



