Jair Bolsonaro reforçou a intenção de apostar numa relação mais pragmática com a China, principal parceiro comercial do Brasil

 

A China “cada vez mais faz parte do futuro do Brasil”, afirmou Jair Bolsonaro que se reuniu com Xi Jinping à margem da cimeira dos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), em Brasília.

“Mais do que ampliar, queremos diversificar as nossas relações comerciais”, acrescentou o anfitrião da cimeira, que inclui um fórum empresarial e na qual também participam os Presidentes da Rússia e África do Sul, Vladimir Putin e Cyril Ramaphosa, respectivamente, e o Primeiro-Ministro indiano, Narendra Modi.

Perante os empresários reunidos na capital brasileira, Xi, cujo país está envolvido numa guerra comercial com os EUA, reiterou que “o crescente proteccionismo” prejudica a economia e o comércio global. Na mesma linha, Putin advertiu que “o proteccionismo está a prosperar” como resultado da desaceleração da economia mundial.

Depois de, no ano passado, ter acusado a China de querer “comprar o Brasil”, Bolsonaro tem vindo a aproximar-se de Pequim, algo que exige um equilíbrio diplomático, já que o Presidente brasileiro é um admirador fervoroso de Donald Trump, com quem partilha a rejeição do multilateralismo e das ideologias de esquerda.

Após a reunião bilateral com Xi, Bolsonaro também agradeceu o apoio chinês durante a crise diplomática desencadeada em Agosto com os países europeus devido à proliferação de incêndios na Amazónia. “Foi um gesto de grandeza que nos fortaleceu muito”, afirmou o Presidente brasileiro, que tem sido fortemente questionado sobre o enfraquecimento das agências de controlo ambiental e o seu apoio à expansão das actividades mineiras e agrícolas em áreas protegidas.

Xi declarou ter plena confiança no futuro do Brasil, frisando a necessidade de aumentar o comércio e a cooperação em áreas como a agricultura, energia, mineração, óleo e gás, ciência e tecnologia e investimentos através do Programa de Parcerias de Investimento. “A China avalia como positivos os esforços do Governo Brasileiro para promover o desenvolvimento socioeconómico do país. Decidimos juntos que continuaremos a intensificar o contacto, aprofundando a confiança mútua e vamos aumentar e melhorar o comércio e investimentos”, afirmou.

O Brasil e a China assinaram em Brasília acordos e memorandos de entendimento nas áreas de política, economia, comércio, agricultura, inspecção sanitária, transporte, saúde e cultura. Entre os acordos assinados está um plano de acção para a cooperação agrícola e protocolos sanitários para a exportação de melões brasileiros para a China e importação de pêras chinesas pelo Brasil. No sector dos transportes foi celebrado um memorando para a partilha de boas práticas, políticas públicas e estratégias de desenvolvimento.

 

JTM com Lusa e agências internacionais