O Governo de Bissau expressou desagrado pela forma como Portugal tratou a apreensão de passaportes guineense no aeroporto de Lisboa e pede a devolução dos documentos que garante são legais. O MNE Carlos Pinto Pereira, convocou uma conferência de imprensa para esclarecer dois assuntos veiculados pela comunicação social portuguesa nos últimos dias, um relacionado com os passaportes e outro com a taxa de mortalidade infantil na Guiné-Bissau. “Uma das razões para esta nossa conferência é para manifestarmos o nosso desagrado pela forma como foi tratado em Portugal, porquanto a Polícia de fronteira que fez esta busca e esta apreensão, antes de publicar a notícia devia confirmar se, de facto, ela era verdadeira ou falsa”, disse. Em causa está a apreensão feita pela PSP, no aeroporto de Lisboa, de 353 passaportes da Guiné-Bissau, transportado por um homem de 47 anos. O chefe da diplomacia guineense explicou que os documentos destinavam-se a peregrinos a Meca, a quem o Governo atribui passaportes de cortesia com o fim específico e que são devolvidos e destruídos depois do regresso da peregrinação. “Os passaportes foram emitidos oficialmente, por quem de direito, sob autorização do Governo, foram transportados para Portugal sob autorização do Governo, não havia nenhuma razão para a Polícia vazar a informação nos termos em que ela foi vazada para a comunicação social, dando a entender que os passaportes eram falsos e que o Governo da Guiné-Bissau estaria envolvido nessa utilização indevida dos seus próprios passaportes”, declarou. Carlos Pinto Pereira garantiu que o Governo da Guiné-Bissau “informou as autoridades portuguesas que os passaportes eram passaportes legais, emitidos pelas entidades competentes e que estavam a ser transportados para Portugal por razões que foram devidamente explicadas”. “Não tinham nada a ver com nenhum negócio ilícito, com nenhuma falsidade e pedimos, por isso, a sua devolução imediata porque caso contrário perderá sentido, ou seja, se os passaportes foram emitidos para as pessoas irem a Meca, se acabar o período de peregrinação, não vale a pena usarem esses passaportes de volta”, continuou. O ministro acrescentou que estes passaportes “só têm utilidade e só não provocarão prejuízos materiais graves à Guiné-Bissau, se forem imediatamente devolvidos”. O ministro reconheceu, no entanto, que houve uma falha, na medida em que os passaportes, quando são transportados por via manual, devem ser acompanhados de uma declaração emitida pela Direcção-geral dos Serviços Consulares do Ministério dos Negócios Estrangeiros. “A falha que há aqui é que, em vez de ter sido esta direcção geral a emitir a declaração foi uma outra entidade que, por lapso entendeu que tinha o controlo da situação, mas não tinha, ou seja, não é a Alta Autoridade para a Peregrinação que deve emitir a declaração a acompanhar os passaportes”, concretizou. “Repor o bom nome do Governo” foi o propósito da conferência de imprensa, em que o chefe da diplomacia mostrou, também indignação com informação veiculada numa reportagem da RTP e replicada por outros órgãos portuguesas, segundo a qual 45% das crianças nascidas na Guiné-Bissau morriam com menos de 30 dias de vida. “Esta notícia é redondamente falsa. Os dados hoje existentes provam que a Guiné-Bissau está longe, mas muito longe desta situação”, declarou, sem concretizar os dados sobre a mortalidade infantil, alegando que não é da sua competência.
Francisco Carvalho eleito presidente do PAICV, na oposição cabo-verdiana
O presidente da Câmara da Praia, Francisco Carvalho, foi eleito novo presidente do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV), principal partido da oposição, em eleições directas com quatro candidatos. “A partir deste momento, assumo a presidência de todos os militantes do PAICV”, declarou em conferência de imprensa, na sede do partido, na cidade da Praia. “Agora é começar a trabalhar. Ficou claro que a construção de um Cabo Verde para todos já chamou a atenção dos cabo-verdianos. Assumimos um compromisso profundo de, junto dos militantes, transformar o PAICV e organizá-lo internamente”, afirmou. O novo líder destacou ainda o contributo dos restantes candidatos para o “enriquecimento deste momento democrático”. Segundo Francisco Carvalho, todos reconheceram os resultados e mostraram disponibilidade para continuar a trabalhar em conjunto. “Este processo foi de união. Houve propostas e visões diferentes para o partido e o país, mas sinto que estamos unidos, como mostrou o envolvimento dos militantes”, disse. As propostas apresentadas “respondem ao que a sociedade cabo-verdiana mais reclama”. Estas incluem: baixar os preços das viagens internas (barco e avião), garantir acesso gratuito à universidade, consultas, medicamentos e exames a quem não pode pagar, promover um Estado mais eficiente, com mais concursos públicos e fiscalização. Francisco Carvalho garantiu que vai continuar a trabalhar tanto no partido como na Câmara da Praia. “Vamos continuar a actuar nestas duas frentes e garantir bons resultados”, assegurou. Francisco Carvalho deverá ser o candidato do PAICV a primeiro-ministro nas legislativas do próximo ano. Entretanto, o partido no poder, Movimento para a Democracia (MpD), já confirmou o apoio ao actual Primeiro-Ministro, Ulisses Correia e Silva, que deverá tentar um terceiro mandato nas eleições previstas para o primeiro semestre de 2026.
PR do Senegal realiza primeira visita de Estado à Guiné-Bissau
O Presidente do Senegal, Bassirou Diomaye Faye, iniciou a primeira visita de Estado de um chefe de Estado do Senegal à Guiné-Bissau, que o condecorou com a medalha Amílcar Cabral, a mais alta distinção do país. Diomaye Faye, de 45 anos, já esteve na Guiné-Bissau, numa visita de algumas horas, no dia 30 de Abril, poucos dias após ser investido no cargo como o quinto Presidente eleito do Senegal. Antes, Sissoco Embaló teve um encontro restrito com o homólogo senegalês no seu gabinete no palácio presidencial, seguido de uma reunião alargada das delegações dos dois países, desta feita no salão General Umaro Sissoco Embaló, no Ministério dos Negócios Estrangeiros. No período da tarde, Diomaye Faye, acompanhado de Sissoco Embaló, fez a deposição de coroas de flores no mausoléu dos heróis nacionais guineenses, nomeadamente Amílcar Cabral, “pai” da independência do país, e João Bernardo ‘Nino’ Vieira, primeiro Presidente eleito democraticamente da Guiné-Bissau. Antes de regressar ao Senegal, Diomaye Faye realizou uma visita à zona industrial de Brá, nos arredores de Bissau, onde foi conhecer uma fábrica de transformação da castanha de caju de um grupo espanhol.



