Enquanto um avião da Guarda Costeira das Filipinas descia em direcção ao posto avançado mais importante do país no disputado Mar do Sul da China, os telefones dos passageiros acenderam-se com um alerta de roaming: “Bem-vindos à China”. Entre os passageiros estavam a senadora Risa Hontiveros e o porta-voz da Guarda Costeira, Jay Tarriela, ambos críticos declarados das acções de Pequim no Mar do Sul da China. Após a aterragem, no sábado, falaram com os habitantes da ilha para reafirmar que a Ilha Thitu “é nossa”, mesmo com navios da guarda costeira chinesa e do Exército de Libertação Popular e alguns barcos de pesca chineses à vista da costa. A presença persistente da China empurrou os habitantes das ilhas, que dependem destas águas para o seu sustento, para mais longe do mar que outrora navegavam livremente. Com apenas 37 hectares, a ilha de Thitu, rodeada de corais e conhecida pelos filipinos como Pag-asa, ou Esperança, é a maior e mais valiosa das nove ilhas reivindicadas pelas Filipinas e China no arquipélago de Spratly, localizado a 450 km do continente. Os seus cerca de 400 habitantes vivem modestamente, longe das comodidades da vida urbana. No entanto, a sua presença discreta reforça a reivindicação de soberania das Filipinas numa altura de crescente pressão chinesa. A visita de Hontiveros e Tarriela irá provavelmente aumentar a tensão numa disputa territorial já tensa. “Nunca abdicaremos do arquipélago Kalayaan, incluindo Pag-asa”, disse Hontiveros aos residentes, referindo-se à porção das Ilhas Spratly que Manila reivindica e gere, incluindo Thitu. Ambos os funcionários foram repetidamente mencionados em declarações da Embaixada da China e campanhas de mensagens online, parte de um esforço mais vasto para moldar narrativas sobre o Mar do Sul da China. A nomeação, por parte de Manila, de um porta-voz dedicado aos assuntos marítimos no Ministério dos Negócios Estrangeiros reflecte uma crescente sensibilidade dentro do governo, à medida que a pressão física e informativa da China se intensifica. Em relação a Pag-asa, a pressão da China não é abstracta. Entre os que ouviam Hontiveros estava o pescador Rando Asiado, de 45 anos, que disse que a presença constante de embarcações chinesas o impede de se aventurar nas ricas zonas de pesca perto do Recife Subi e dos Cayos de Sandy, nas proximidades. A presença da guarda costeira chinesa tornou-se tão rotineira que os pescadores filipinos lançam agora as suas redes em águas menos produtivas para evitar confrontos. As acções da China no Mar do Sul da China, que incluem o uso de canhões de água e manobras de aproximação de navios, resultaram em colisões e ferimentos em tripulações filipinas. Pequim afirma que as suas acções são legais e profissionais, acusando as embarcações de Manila de invadirem o seu território. “Não temos medo porque sabemos que temos razão, mas eles estão a usar navios enquanto nós só temos barcos pequenos. Não temos hipótese, por isso, para evitar problemas, simplesmente afastamo-nos”, disse o pescador Ronnie Cojamco, de 51 anos, citado pela Reuters.
JTM com agências internacionais



