Dois aviões ambulância descolaram do aeroporto internacional Nelson Mandela, na Praia, capital de Cabo Verde, com três ocupantes do navio cruzeiro Hondius, no qual se registaram infecções por hantavírus. Dois tripulantes com sintomas e uma pessoa assintomática, mas que partilhou a cabina com a última das três vítimas mortais a bordo, por síndrome respiratória aguda, seguiram para os Países Baixos, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS).

A operação na cidade da Praia decorreu durante a manhã, sob protecção das autoridades. Duas ambulâncias com pessoal médico de fato de protecção integral transportaram os três ocupantes desde o porto da Praia até ao aeroporto da capital, um percurso de cinco quilómetros e cerca de dez minutos.

Alguns curiosos, mas poucos, acompanharam a operação nas ruas, e numa zona junto às instalações VIP do aeroporto, já dentro da zona vedada, havia pessoal ligado à operação a circular durante toda a manhã. Nessa mesma extremidade da zona de “táxi” para aeronaves, estavam, lado a lado, os dois aviões ambulância, enquanto no aeroporto decorriam os voos regulares.

Durante a operação de transferência eram visíveis várias pessoas com fatos de protecção integral, circulando para o interior e exterior dos aviões ambulância, até à descolagem, que aconteceu pelas 11:00 locais.

Entretanto, o navio Hondius deverá deixar o arquipélago de Cabo Verde, segundo a OMS, em busca de um desfecho para o cruzeiro que partiu da Argentina e atravessou o Atlântico Sul durante Abril com 147 pessoas. O barco fundeou no domingo, na capital cabo-verdiana, recebendo assistência por pessoal médico com fatos de protecção e sem nenhum desembarque, como medidas de precaução, numa operação articulada a nível internacional.

Segundo o último ponto de situação feito pela agência da ONU, entre os sete casos identificados na viagem (incluindo três mortes), contabilizam-se cinco casos suspeitos e dois confirmados em laboratório de infecção com hantavírus.

A estirpe de hantavírus detectada num dos passageiros do navio de cruzeiro, transferido para um hospital na África do Sul, é a andina, a única transmissível entre humanos, informou o ministro da Saúde sul-africano numa comissão parlamentar. “Os testes iniciais mostram que se trata, de facto, da estirpe andina. Esta é a única estirpe, entre as 38 estirpes conhecidas, que pode ser transmitida de uma pessoa para outra”, explicou Aaron Motsoaledi.

Dois dos passageiros do navio de cruzeiro afectados com um surto de hantavírus foram transferidos para Joanesburgo, um faleceu e o outro permanece hospitalizado.

 

JTM com Lusa