O director do Centro Nacional de Contraterrorismo dos EUA (NCTC) renunciou na terça-feira americana em protesto contra a guerra contra o Irão, que ele acredita ter sido iniciada por pressão israelita e por uma “campanha de desinformação”. Joseph Kent, ex-membro das forças especiais, é a primeira autoridade de alto escalão do governo Trump a renunciar devido à sua discordância com a guerra. “Não posso, em sã consciência, apoiar a guerra em curso no Irão”, afirmou na sua carta de renúncia ao Presidente Donald Trump, que ele partilhou na rede X. “O Irão não representava uma ameaça iminente contra a nossa nação, e está claro que iniciamos esta guerra por causa da pressão de Israel e do seu poderoso lobby nos EUA”, acrescentou Kent, de 45 anos, ex-integrante das forças especiais Boinas Verdes com participação em múltiplas missões de combate. Em conversa com jornalistas, Trump acusou Kent de ser “muito fraco em matéria de segurança” e considerou “algo bom que ele tenha ido embora”. A porta-voz da Casa Branca rejeitou o que classificou como “afirmações falsas” na carta de renúncia de Kent e considerou “insultante e ridícula” a sugestão de que a decisão de ir à guerra foi tomada “em função da influência de outros”. “Como o presidente Trump declarou de forma clara e explícita, ele dispunha de provas sólidas e convincentes de que o Irão se preparava para atacar primeiro os EUA”, disse Karoline Leavitt. “O presidente Trump determinou, em última instância, que um ataque conjunto com Israel reduziria consideravelmente o risco para vidas americanas (…) e que enfrentaria essa ameaça iminente aos interesses de segurança nacional dos EUA”, acrescentou. A esposa de Kent, Shannon Kent, também serviu nas forças armadas dos EUA e morreu num atentado suicida na Síria em 2019. “Como viúvo (…) que perdeu a sua amada esposa Shannon numa guerra fabricada por Israel, não posso apoiar o envio da próxima geração para lutar e morrer numa guerra que não traz nenhum benefício ao povo americano”, escreveu Kent, que trabalhava sob as ordens da directora de Inteligência Nacional, analisando e coordenando a resposta a ameaças terroristas e actuando como principal assessor do presidente em matéria de contraterrorismo. “Até Junho de 2025, o senhor entendia que as guerras no Médio Oriente eram uma armadilha que roubou dos EUA as preciosas vidas de nossos patriotas”, afirmou Kent na carta. Então, Trump ordenou o bombardeamento de instalações nucleares iranianas, uma operação com colaboração de Israel que provocou uma escalada militar com o Irão que durou doze dias. Kent afirmou que “altos responsáveis israelitas e membros influentes da mídia americana conduziram uma campanha de desinformação” para fazer acreditar que “o Irão era uma ameaça iminente”, mas “isso era uma mentira”.
JTM com agências internacionais



