Dois aviões que transportavam 19 mulheres e crianças australianas ligadas ao grupo Estado Islâmico na Síria aterraram em Melbourne e Sydney, apesar de o Governo australiano ter avisado que os retornados poderiam enfrentar acusações. O governo confirmou anteriormente que sete mulheres e 12 crianças regressavam a casa em voos da Qatar Airways, menos de três semanas depois de um grupo de 13 pessoas em situações semelhantes ter regressado às duas maiores cidades da Austrália. Duas mulheres com sete crianças voaram para Melbourne. Quatro mulheres com seis crianças aterraram cerca de uma hora depois em Sydney, segundo a polícia e da agência de informação. Ninguém foi acusado à chegada, mas as investigações sobre as suas actividades na Síria continuam, referiu o comunicado. Três das quatro mulheres que regressaram a casa anteriormente foram acusadas de escravidão e crimes de terrorismo e permanecem detidas. O ministro do Interior, Tony Burke, disse que qualquer pessoa entre os recém-chegados que tenha cometido crimes “pode esperar enfrentar todo o rigor da lei”. “O governo não forneceu nem prestará qualquer assistência a este grupo”, avisou Burke em comunicado. Três mulheres australianas que regressam da Síria continuam detidas por suspeita de crimes de escravatura e terrorismo. “São pessoas que fizeram a escolha horrível de se juntarem a uma organização terrorista perigosa e colocar os seus filhos numa situação indescritível”, acrescentou. As agências australianas de segurança e de inteligência têm vindo a preparar-se para o seu regresso desde 2014 e têm planos de longa data para as gerir e monitorizar, disse Burke, reiterando que a prioridade do governo “é a segurança da comunidade australiana”. O primeiro-ministro Anthony Albanese tinha declarado anteriormente ao Parlamento: “Não tenho nada além de desprezo por qualquer pessoa que simpatize com o Estado Islâmico”. A tentativa do médico de clínica geral Jamal Rifi, líder comunitário da diáspora muçulmana libanesa em Sydney, de repatriar 34 mulheres e crianças australianas da Síria falhou em Fevereiro. As autoridades sírias bloquearam a rota do comboio para Damasco e enviaram-nas de volta para o campo de Roj, uma localidade no nordeste da Síria, perto da fronteira com o Iraque, onde pessoas ligadas ao Estado Islâmico estiveram detidas desde a derrota das forças do grupo no Médio Oriente, em 2019. Riji disse à Australian Broadcasting Corp. que as autoridades sírias estavam convencidas de que a maioria dos australianos em Roj eram crianças com o direito legal de crescer na Austrália. “Estas mulheres são mães carinhosas”, disse sobre as 19 mulheres que tinham acabado de chegar à Austrália. “Aderir voluntariamente ao culto da morte do califado não islâmico é uma decisão terrível. Acredito que algumas destas mulheres foram enganadas para ir para lá. Algumas são vítimas do culto da morte e outras não”, afirmou Riji. Após a partida do último grupo, pelo menos dois australianos permanecem no campo de Roj, incluindo uma mãe que foi impedida de regressar à Austrália em Fevereiro por uma ordem de exclusão temporária. A mulher, com cerca de 29 anos, permaneceu em Roj com a filha, que ficou incapacitada devido a ferimentos de estilhaços, informou o jornal The Australian. Deixou Sydney aos 18 anos, em 2015, para se casar com um combatente do Estado Islâmico na Síria, segundo o jornal. A sua família contratou um advogado em Sydney para contestar a ordem, que impede a mãe de entrar na Austrália até Fevereiro de 2028.

 

JTM com agências internacionais