epa12775440 Chancellor of Germany Friedrich Merz (L) and Premier of China Li Qiang shake hands at the Great Hall of the People in Beijing, China, 25 February 2026. Merz is visiting China for the first time as Chancellor.  EPA/Michael Kappeler / POOL alle Agenturen
epa12775440 Chancellor of Germany Friedrich Merz (L) and Premier of China Li Qiang shake hands at the Great Hall of the People in Beijing, China, 25 February 2026. Merz is visiting China for the first time as Chancellor. EPA/Michael Kappeler / POOL alle Agenturen

O Chanceler alemão defendeu ontem em Pequim uma cooperação mais “justa” com a China, no arranque de uma visita ao principal parceiro comercial da Alemanha. “Temos preocupações muito concretas relativamente à nossa cooperação, que queremos melhorar e tornar mais justa”, afirmou Friedrich Merz no início de conversações com o Primeiro-Ministro chinês, Li Qiang, no Grande Palácio do Povo. O chefe do Governo chinês apelou à Alemanha para trabalhar no sentido de “defender conjuntamente o multilateralismo e o livre-comércio”. A agenda de ontem de Merz, que chegou a meio da manhã com uma ampla delegação empresarial, incluiu ainda uma reunião e jantar com o Presidente Xi Jinping, naquela que é a sua primeira visita à China desde que assumiu funções, em 2025. O chanceler afirmou ver “um grande potencial de crescimento” para duas das maiores economias do mundo, sublinhando, no entanto, a necessidade de um diálogo “aberto”. Antes da partida, Merz indicou que pretendia abordar vários temas de divergência, como regras de concorrência, acesso aos mercados e segurança no abastecimento de terras raras, matérias-primas essenciais para muitas empresas alemãs e cuja produção é dominada pela China. Expressou ainda o desejo de discutir a guerra na Ucrânia, contando com as boas relações de Pequim com Moscovo. “A voz de Pequim é ouvida, mesmo em Moscovo”, declarou. Merz é o mais recente dirigente estrangeiro a deslocar-se a Pequim, num momento em que o Presidente dos EUA, Donald Trump, tem agitado a ordem internacional com novas tarifas e a revisão de antigas alianças. “Hoje, a China tornou-se incontornável para todos”, afirmou Merz, na terça-feira. Nos últimos três meses, passaram por Pequim os líderes do Reino Unido, Finlândia, Canadá, Coreia do Sul, Irlanda ou França. Ao mesmo tempo, a indústria alemã enfrenta crescente pressão da concorrência chinesa. A maior economia europeia, fortemente dependente das exportações e durante anos sustentada pelo vasto mercado chinês, viu as vendas dos seus construtores automóveis diminuírem significativamente na China e enfrenta cada vez mais competição tecnológica chinesa a nível global. Tal como outros parceiros da União Europeia, a Alemanha manifesta preocupação com a expansão dos veículos eléctricos chineses e com o escoamento para a Europa dos excedentes de produção da China. Berlim alerta ainda para o uso, por parte de Pequim, de semicondutores e terras raras como instrumentos na disputa comercial global, como aconteceu em 2025, afectando severamente as cadeias de abastecimento, nomeadamente da indústria automóvel. “Queremos e devemos adoptar uma política de redução de riscos, não apenas em relação à China”, afirmou Merz, sublinhando, porém, que seria um erro associar essa estratégia a uma dissociação económica. A Alemanha e outros países criticam as restrições de acesso ao mercado chinês, os subsídios considerados indevidos e a alegada subvalorização da moeda chinesa. Xi Jinping tem apresentado a China como um parceiro fiável e defensor do multilateralismo e do livre-comércio, promovendo uma relação de “ganhos para ambos” baseada no “respeito mútuo”. Merz viajou acompanhado pelos presidentes executivos da Volkswagen, BMW e Mercedes. Hoje, assistirá à apresentação de veículos autónomos pela Mercedes e deslocar-se-á depois a Hangzhou, polo tecnológico, para visitar o grupo de robótica Unitree e a empresa Siemens Energy.

 

JTM com Lusa