Vincent Cheng (dta) derrotou o pró-democrata Vincent Cheng (esq)
Vincent Cheng (dta) derrotou o pró-democrata Vincent Cheng (esq)

O campo pró-democracia de Hong Kong só conseguiu recuperar dois dos quatro assentos nas eleições legislativas parciais de domingo, o que lhe custou a perda do poder de veto no Conselho Legislativo

 

Organizadas para substituir quatro dos seis deputados que foram destituídos após protestos contra Pequim, as eleições intercalares em Hong Kong tiveram um resultado surpreendente para muitos analistas.

As previsões apontavam para uma vitória de Edmund Yiu sobre Vincent Cheng em Kowloon Oeste, mas o pró-democrata acabou por ser derrotado pelo candidato alinhado com o Governo, que obteve 49,9% dos votos contra 48,7% do rival. Principal derrotado nestas eleições, Yiu fez parte do grupo de deputados cujos mandatos foram cessados após terem protestado contra a China na cerimónia de posse, em 2016, alterando o texto do juramento e apelando à implementação do sufrágio universal em Hong Kong.

Nas eleições intercalares, o campo pró-democracia só conseguiu manter dois dos seus quatro representantes, pelo que a partir de agora ocupará 26 assentos no Conselho Legislativo (LegCo), órgão onde apenas metade dos membros são escolhidos por sufrágio universal. Os restantes são definidos por grupos de interesse ligados a Pequim.

Dessa forma, depois de ter reforçado a sua capacidade para bloquear algumas leis importantes que exigem maioria de dois terços para aprovação, a ala pró-democracia perde agora um importante poder de veto noutras leis.

Entre os lugares em disputa no domingo estava o de Nathan Law, um dos principais rostos dos protestos de 2014, ao lado de Agnes Chow e Joshua Wong. Agnes Chow, de 21 anos, ponderou disputar a eleição para ocupar o lugar de Law, mas o Executivo local vetou a sua candidatura em Janeiro alegando que a jovem defende a autodeterminação de Hong Kong.

No domingo, acabaram por ser eleitos os candidatos pró-democracia Au Nok-hin e Gary Fan, e os conservadores pró-China Tony Tse e Vincent Cheng. Dois dos deputados destituídos em 2016, continuam a “batalha” na Justiça, pelo que os seus lugares continuam por preencher.

Durante a campanha, os democratas usaram o argumento de que as inabilitações tinham sido injustas, mas a baixa participação nas eleições – o que tradicionalmente favorece os conservadores – foi decisiva.

Este resultado representa um novo golpe para o movimento pró-democrático de Hong Kong, que atingiu o auge na chamada “Revolução dos Guarda-Chuvas” no Outono de 2014, quando milhares de pessoas foram às ruas da cidade para pedir o sufrágio universal.

 

JTM com agências internacionais