Príncipes, presidentes, xeques e milhares de pessoas comuns foram ontem exortados a proteger o meio ambiente, os mais fracos e pobres. O apelo foi feito pelo Papa, na sua missa de entronização
O Papa pediu ontem aos responsáveis económicos, políticos e sociais que “não permitam que os sinais de destruição e morte acompanhem o curso do mundo”, sublinhando que todos devem “respeitar todas as criaturas de Deus e o ambiente”.
“Tudo foi confiado à guarda do Homem. Quando o homem falha nesta responsabilidade, quando não tomamos conta da criação e dos irmãos, então a destruição encontra um lugar”, afirmou o líder da Igreja católica.
“Em todas épocas, há ‘Herodes’ que traçam desígnios de morte, destroem e desfiguram o rosto do homem e da mulher”, acrescentou Francisco na homília durante a eucaristia inaugural do pontificado, perante 132 delegações estrangeiras, presentes na praça de São Pedro, no Vaticano.
O Papa, o primeiro jesuíta da História, dirigiu esta oração “a todos aqueles que ocupam papéis de responsabilidade no domínio económico, político ou social”.
O “verdadeiro poder” de um Papa é “o serviço humilde, concreto”, declarou, aconselhando os religiosos a “não terem medo da ternura”.
Lembrando a gentileza associada ao nome de São Francisco, o Papa disse mesmo que um pouco de ternura pode “abrir um horizonte de esperança”.
Francisco considerou que um Papa “deve abrir os braços para (…) receber com afecto e ternura toda a humanidade, especialmente os mais fracos, os mais pobres, os mais pequenos”.
“Não devemos ter medo da bondade, e nem da ternura”, exclamou.
O Papa Francisco chegou pelas 9 horas (16 horas em Macau) à praça de São Pedro, tendo saudado, a partir do “papamóvel”, milhares de fiéis e responsáveis de vários países, presentes no local para assistir à missa de início do pontificado.
Antes da missa, Francisco desceu, acompanhado dos patriarcas e dos arcebispos maiores das igrejas católicas orientais presentes na missa, à cripta onde se encontra o túmulo do apóstolo Pedro.
Ajoelhou-se no túmulo e rezou por alguns minutos, antes de receber o anel do pescador, em prata dourada, e o pálio petrino, insígnias oficiais do líder de 1,2 mil milhões de católicos.
Segundo dados do Vaticano, entre 150 mil e 200 mil pessoas participaram na missa, realizada sob um céu azul após dias de chuvas frias e colorida por bandeiras de várias partes do mundo.
Entre os convidados mais importantes, as agências internacionais destacaram as presenças de Angela Merkel, Chanceler alemã, Joe Biden, Vice-Presidente dos EUA, Cristina Kirchner e Dilma Rousseff, presidentes da Argentina e Brasil, respectivamente, bem como dos Presidentes Cavaco Silva (Portugal) e Ma Ying-jeou (Taiwan), Robert Mugabe (Zimbabwe), do príncipe Alberto do Mónaco e do príncipe do Bahrein, xeque Abdullah bin Haman bin Isa Alkhalifa, entre outros.
Papa poderá visitar Fátima em 2017
O Presidente português elogiou os primeiros dias do Papa Francisco e disse esperar a visita do novo líder dos católicos em 2017, por ocasião do centenário das Aparições marianas de Fátima. Presente em Roma para as cerimónias de início do Pontificado, Cavaco Silva aproveitou para fazer o convite formal a Francisco. “Espero bem que os portugueses, na sua própria terra, tenham oportunidade de manifestar o seu afecto ao papa Francisco quando ele visitar um dia Portugal”, disse Cavaco Silva. “O Papa Francisco já conquistou a simpatia do mundo inteiro, pela sua simplicidade, pela sua proximidade às pessoas” e “é um sinal de esperança para todos os católicos e espero que seja também um sinal de esperança para os portugueses”.



