O Presidente dos EUA evitou ontem a questão dos direitos humanos na sua visita às Filipinas, rejeitando comentar a sangrenta campanha antidrogas lançada pelo homólogo filipino

 

Donald Trump elogiou repetidas vezes Rodrigo Duterte e referiu-se a este pelo nome próprio, evitando criticar a situação dos direitos humanos no país. Os dois líderes riram juntos quando Duterte chamou “espiões” aos jornalistas.

Num jantar de gala em Manila que juntou os 20 líderes estrangeiros que participam na cimeira da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), Duterte cantou a canção “Ikaw” em dueto com a cantora Pilita Corrales, dizendo à audiência que o fizera “sob as ordens do comandante supremo dos Estados Unidos”, motivando gargalhadas da assistência e um sorriso de Trump.

Duterte lançou uma sangrenta guerra contra as drogas e frequentemente vangloria-se de ter matado pessoas. No ano passado, chamou filho da mãe ao então Presidente dos EUA, Barack Obama.

Ontem, durante um breve encontro com os jornalistas, Trump afirmou que tem “uma óptima relação” com Duterte, escusando-se a responder sobre se mencionou a questão dos direitos humanos. Rompendo com uma tradição dos Presidentes norte-americanos, Trump deixou de pressionar líderes estrangeiros em público sobre questões relativas aos direitos humanos.

A Casa Branca informou mais tarde que os dois líderes falaram, durante 40 minutos, da organização extremista Estado Islâmico, drogas ilegais e do comércio bilateral. A porta-voz da Administração, Sarah Huckabee Sanders, disse que os direitos humanos foram “brevemente” mencionados, no contexto da campanha antidrogas, mas sem detalhar de Trump foi crítico.

Já Harry Roque, porta-voz de Duterte, disse que os direitos humanos e execuções extrajudiciais não foram abordados.

A polémica campanha contra o narcotráfico lançada por Duterte já causou milhares de mortos, com organizações não-governamentais de defesa dos direitos humanos a afirmarem que a polícia filipina executa consumidores e passadores de droga, bem como elementos das suas famílias.

Por outro lado, num discurso no âmbito das reuniões da ASEAN, Duterte afirmou ontem que o terrorismo ameaça a paz na Ásia. O ‘jihadismo’ e o narcotráfico colocam em perigo “a prosperidade económica e a integridade das instituições e, o que é mais importante, a segurança da nossa gente”, sublinhou, referindo ainda a pirataria marítima, o tráfico de drogas e a migração como alguns dos temas a tratar nas reuniões em Manila.

 

JTM com Lusa