O Governo da China manifestou pesar pela morte de Mário Soares, que considerou um “amigo do povo chinês”. Mosteiro dos Jerónimos juntou mais de 500 convidados numa sessão evocativa de homenagem ao antigo Presidente português

 

Mário Soares “é um velho amigo do povo chinês”, além de um “estadista eminente e um líder de Estado”, disse o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, de acordo com a Xinhua. Lu Kang destacou a contribuição de Soares para as relações diplomáticas entre os dois países e no período das negociações sobre a transferência de soberania de Macau.

A Xinhua difundiu ainda uma série de fotografias das cerimónias fúnebres do fundador do Partido Socialista que faleceu no sábado, aos 92 anos, em Lisboa.

O funeral realiza-se ontem, pelas 15:30 (23:30 em Macau), no Cemitério dos Prazeres, em Lisboa, após passagem do cortejo fúnebre pelo Palácio de Belém, Assembleia da República, Fundação Mário Soares e sede do PS, no Largo do Rato. Antes, decorreu uma sessão solene evocativa de homenagem nos claustros do Mosteiro dos Jerónimos, marcada por emoção, lágrimas, palmas, música e poesia, e com a presença de mais de 500 convidados nacionais e estrangeiros.

A cerimónia realizou-se no mesmo local onde em 1985 Mário Soares assinou a 12 de Junho o tratado de adesão de Portugal à Comunidade Económica Europeia. Depois de se ouvir o hino nacional e a voz de Mário Soares proferindo o início do discurso da cerimónia de assinatura do tratado, o filho do antigo Presidente, João Soares, de cravo vermelho na lapela e com voz por vezes embargada, subiu ao palco e fez a primeira intervenção da sessão solene. A seguir foi a voz de Maria de Jesus Barroso, mulher de Mário Soares, falecida no Verão de 2015, que ecoou nos claustros, declamando “Os dois poemas de amor da hora triste”, de Álvaro Feijó. De rosa amarela no peito, a filha do antigo Presidente, Isabel Soares, fez o discurso mais emotivo e emocionado da cerimónia, lembrando, tal como o irmão tinha feito, episódios da vida familiar.

Intercaladas por intervenções musicais do coro do Teatro Nacional de São Carlos e da Orquestra Sinfónica Portuguesa, foi depois a vez do presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues, do Primeiro-Ministro, António Costa, e do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, discursarem, num registo mais institucional. O discurso do primeiro-ministro, que se encontra em visita à Índia, foi previamente gravado e transmitido num ecrã.

Para o primeiro funeral de Estado realizado em Portugal depois do 25 de Abril deslocaram-se a Lisboa diversas entidades estrangeiras, entre os quais o rei Felipe VI de Espanha e os Presidentes do Brasil, Cabo Verde e Guiné-Bissau, o presidente do Parlamento Europeu, o presidente da Assembleia Nacional angolana, o vice-ministro das Relações Exteriores de Cuba. Os antigos primeiro-ministro francês Lionel Jospin, presidente do Brasil José Sarney e presidente da Comissão Europeia Jacques Santer bem como o ex-presidente do Governo espanhol e ex-líder do PSOE, Felipe Gonzalez, estavam também entre os convidados.