Na sequência de uma morte causada por um autocarro da Nova Era, 30 motoristas a tempo parcial foram suspensos, por indicações da DSAT. Alguns motoristas dizem que se trata de um exagero e entendem a DSAT também deve assumir responsabilidades, por impor limites para as saídas diárias de veículos

 

Rima Cui

 

O acidente fatal na Rua de Francisco Xavier Pereira levou a Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT) a exigir à Nova Era a suspensão do trabalho dos motoristas a tempo parcial. Segundo Kwok Tong Cheong, vice-administrador da Nova Era, a companhia tinha 30 motoristas em “part-time”, todos já suspensos. Em compensação, a empresa vai reorganizar os horários para que cinco ou seis condutores a tempo inteiro passem a trabalhar nas folgas.

Explicando que só alguns dos 30 motoristas trabalhavam três a quatro horas por dia, em carreiras e turnos diferentes, Kwok frisou que a suspensão não vai afectar as mais de 30 carreiras em funcionamento.

O Secretário para os Transportes o Obras Públicas defendeu a decisão da DSAT, sublinhando que conduzir autocarros exige nível técnico e grande responsabilidade. Lamentando o acidente, Raimundo do Rosário ressalvou desconhecer os detalhes e aspectos técnicos envolvidos, já que a operação diária dos autocarros compete à DSAT.

A decisão do organismo gerou insatisfação entre os condutores. “A companhia exige que mudemos o contrato para tempo inteiro, caso contrário temos de assinar uma carta de despedimento voluntário”, queixou-se um ouvinte no programa matinal do “Ou Mun Tin Toi”, alegando ser motorista a tempo parcial. “Se o caso acontecesse com um condutor a tempo inteiro, esses motoristas seriam todos suspensos?”, questionou.

Ng, motorista nas mesmas condições, entende que a DSAT também tem responsabilidades. Segundo disse, quando há muito trânsito, os condutores têm de acelerar para atingir a frequência de saídas exigida pelas autoridades.

Outra ouvinte referiu que, caso as transportadoras não atinjam os parâmetros, sofrem cortes nos pontos e os condutores e chefes de paragens perdem parte do salário.

Cheang Wa Cheong, subdirector de uma associação de funcionários dos autocarros públicos, criticou a ordem da DSAT afirmando ser “um exagero” e referiu que os condutores a tempo inteiro e parcial têm as mesmas horas de formação. Advertiu também que estes profissionais sofrem elevado stress, mas negou cortes nos ordenados se não atingirem os requisitos.