Francisco Guterres Lu-Olo, um dos últimos guerrilheiros a descer das montanhas de Timor-Leste, toma posse amanhã como Presidente de República timorense, exactamente 15 anos depois de ele próprio ter proclamado a restauração da República Democrática de Timor-Leste. Há 15 anos, no mesmo espaço em Tasi Tolu, nos arredores da capital timorense, Lu-Olo, então presidente do Parlamento Nacional teve a honra de declarar o nascimento da primeira Nação do novo milénio. Presidiu à subida da bandeira do novo Estado e momentos depois, deu posse ao primeiro Presidente pós-restauração, Xanana Gusmão. Esse foi, porventura, o fim do maior capítulo da vida de Lu-Olo, que nasceu a 7 de Setembro de 1954 em Ossú, zona remota de Timor-Leste, no subdistrito de Viqueque, a sudeste de Díli. Para um homem que passou grande parte da vida a combater soldados indonésios nas montanhas de Timor-Leste – fugiu para o mato pouco depois da invasão indonésia em 1975 e só entregou as armas em 2000 – esta semana parece ter-se fechado um ciclo. Amanhã passa a ser o sexto Presidente timorense desde a proclamação e o quarto desde a restauração da independência.