A activista britânica Kerry Elliman denunciou práticas desumanas na China para com os galgos que são exportados pelo Reino Unido. Ao Jornal TRIBUNA DE MACAU, Kerry Elliman garantiu não ter conhecimento de que esses animais tenham algo a ver com Macau, já que os episódios bárbaros que expôs acontecem na China e não envolvem a venda de cães do Canídromo para o Continente

 

Catarina Almeida*

 

O jornal britânico “The Mirror” denunciou casos de galgos exportados do Reino Unido para a China que, depois de deixarem de ter condições para correr, são vendidos para ser cozinhados. O caso foi exposto pela activista britânica Kerry Elliman. “É muito perturbador, mas não podemos esconder-nos da realidade do que está a acontecer com essas criaturas meigas enquanto adoptamos uma postura cega”, disse à publicação britânica.

Perante o exposto, e tendo em conta a existência do Canídromo no território, a activista esclareceu ao Jornal TRIBUNA DE MACAU que os galgos que passam por Macau não entram nestas denúncias. O escândalo relatado pelo britânica refere-se aos animais comprados pela China ao Reino Unido.

A afirmação da activista é suportada por Albano Martins, presidente da Sociedade Protectora dos Animais (ANIMA), salientando não ter conhecimento de “qualquer animal de Macau que tenha sido enviado para a China para ser [consumido]”. “Todos os animais não-aptos para correr eram, até determinada altura, eutanasiados e depois incinerados. Após a nova Lei de Protecção aos Animais, são mantidos pelo Canídromo nas suas instalações”, vincou o presidente da ANIMA a este jornal.

Apesar disso, não há legislação na RAEM que proíba o envio de animais para o Continente, algo que já levou a ANIMA a enviar cartas ao Governo para tentar travar esta possibilidade. Tecnicamente o Canídromo, enquanto proprietário dos cães, pode enviar os galgos para onde quiser. Foi também lançada uma petição internacional para conseguir que cerca de 650 galgos do Canídromo – que vai encerrar em Julho de 2018 – sejam adoptados.

Segundo o jornal britânico, os galgos na China estão a ser sujeitos a mangueiradas de água a ferver. A activista Kerry Elliman já resgatou 758 cães nos últimos cinco anos e disse mesmo ter assistido a vídeos onde os galgos “são cozidos vivos”.

Para evitar que isto aconteça, Elliman está em contacto com alguns activistas na China que costumam vigiar matadouros, procurando carrinhas de transporte de carne e informando-a quando identificam galgos. Vídeos enviados por esses contactos mostram como são tratados os cães na China.

 

* com I.A.