Luiz de Oliveira Dias*

Luiz de Oliveira Dias*

O menos que pode dizer-se da sua designação é que é ao mesmo tempo modesta e envolvente. Ora vejam – Associação de Mútuo Auxílio dos Moradores das Ruas de São Domingos, dos Mercadores e Vias Circundantes. A qual tem, além disso, o mérito de dizer onde e para quê existe. Que naturalmente é para trabalhar  para os seus membros e o seu bonito bairro, o coração do Centro Histórico de Macau.

Desta vez, como se depreende da matéria que a jornalista Rima Cui assinou há dias neste Jornal, a sua atenção dirigiu-se para o que deverá ser o aproveitamento do decrépito edifício onde antes funcionou o GCS. E em boa hora o fez pois que o prédio não só está abandonado há mais de 10 anos como já foi esquecido por 75% dos moradores da zona.

Não se ficando por aqui, aquela meritória associação sugeriu que, depois de recuperado, fosse utilizado para a prática de desportos de interior e actividades dos jovens.

É uma hipótese a ponderar mas, há outras.

Segundo os Serviços de Economia e a PSP (?) deve antes ser preparado para sala de exposições das indústrias criativas; as quais, aliás, se bem me lembro, já contam com mais algumas.

Por seu turno, uma grande maioria dos entrevistados de rua (366) propõe a adição (?) de elementos ligados a actividades para jovens (outras, pelos vistos, que não as de desporto de interior sugerida pela própria associação) e um Centro de Serviços Sociais.

E, finalmente, 179 turistas acham que o espaço deve vir a ser aproveitado para o que chamam “instalações turísticas”. Certamente por ninguém lhes ter dito que no Ed. Ritz ali ao lado funciona precisamente um posto de informações turísticas que, quase sempre se limita a indicar o caminho para as Ruínas, e onde ficam as ourivesarias e as lojas de bolinhos de coco.

Como se vê, uma situação muito mais complexa do que a que a Associação Mutualista daquele bairro imaginava. Assim, e depois de considerar que tudo isto não passa da “ponta do iceberg”, sugere ao Executivo “que desenvolva mais acções para a recolha de opiniões da população no sentido de se saber que outros prédios da área os seus moradores gostariam de ver vitalizados e como”.

Sugestão inteligente e oportuna. Esperemos que tal aconteça numa acção conjunta do IACM, das Obras Públicas e do Instituto Cultural. O que demonstra que os moradores dos bairros conhecem muito melhor as necessidades e possibilidades das ruas onde vivem do que os técnicos que os encontram nos bancos de dados dos seus computadores.

Entretanto, e voltando “à vaca fria”, no caso o destino a dar àquele prédio onde antes funcionou o GCS, também eu aproveito para dar a minha opinião – uma opinião alternativa – apesar de não ser sócio daquela importante associação nem morador das ruas de São Domingos e dos Mercadores e das suas vias circundantes.

Não me levem a mal mas, a meu ver, o Executivo devia antes aproveitar esta ocasião para simplesmente deitar abaixo – derrubar, demolir – o edifício por naquele lugar não ser minimamente condizente com os demais daquele bonita zona do Centro Histórico, Património de Macau e da Humanidade. E, se for a tempo, retirar a licença do exercício da profissão ao autor daquele projecto completamente despropositado naquela área da cidade. Deitá-lo, portanto abaixo e, no seu lugar construir um outro digno de alinhar com os demais naquele lindíssimo bairro.

Posto o que, poderia lá meter tudo o que foi sugerido, como ginásios para desporto interior, salas de convívio para jovens, um posto para informações turísticas, uma área para Serviço Social para os moradores e, se algum espaço ainda sobrar, a sede da própria Associação de Mútuo Auxilio etc, etc, etc.

Era o que se chamaria Sentir Macau não ao seu mas ao nosso estilo.

 

* Docente. Anterior presidente do Instituto Politécnico de Macau.