Administrador - José Rocha Dinis | Director - Sérgio Terra | Nº 4182 | Domingo, 21 de Dezembro de 2014

Um esforço mal concretizado

Jorge Silva

Jorge Silva *

1. A insatisfação de alguns dos candidatos à compra de habitação económica na Ilha Verde é natural. Em causa, o tamanho dos apartamentos considerados muitos pequenos, ou melhor, classificados como cubículos.

O que seria e é uma boa ideia do ponto de vista social por parte da Administração acaba por não resultar na totalidade devido à exiguidade dos espaços oferecidos. Não se percebe a razão da construção de habitações tão pequenas, tão mal dimensionadas onde, por vezes, nem a mobília lá cabe.

Quem é o responsável pelo descalabro? A Administração no seu todo mas deverá haver um departamento específico ou responsáveis que planearam o desenho das casas de forma a que sejam pouco habitáveis.

Desde o tempo dos portugueses, os governos foram acabando com as barracas ou bolsas de pobreza visíveis no Macau dos anos oitenta, quando se começou, de facto, a planear habitação social no território.

Com a criação da RAEM, os executivos que se sucederam optaram pela mesma visão correcta do problema, mormente nos últimos anos, face ao aumento escandaloso do preço das casas ou o seu arrendamento.

Mas tudo fica a perder e deitado ao mar com este tipo de habitação económica e social, sem qualidade e longe das expectativas das famílias.

Não irá a tempo o governo se programar, mais e melhor, as próximas habitações de cariz social ?

 

2. A outra excelente ideia, que nasceu em Pequim no início da década de dois mil, foi, agora, criticada pelo novo embaixador do Brasil na China. Falo do Fórum China/Países de Língua Portuguesa que aquele diplomata disse ser de esperar mais pela actividade que desempenha.

E mal sabe o embaixador que o  Fórum foi mais lento, no passado, a traçar as suas grandes linhas de actuação…

Sabe-se onde o Brasil quer chegar- nunca precisou do Fórum para manter relações comerciais estreitas com Pequim e nunca esteve interessado em colocar aqui um seu representante a tempo inteiro.

Brasília passou sempre ao lado do Fórum o que, convenhamos, acabou por retirar alguma da força e presença da língua portuguesa na estrutura.

O Fórum já teve piores dias, endireitou alguns acidentes de percurso, promoveu cursos e seminários com pessoal dos PALOPS, empenhado na formação e partilha de experiências.

Mas podia e devia fazer mais, apostando naquele organismo como uma agência de investimento e parcerias.

Isto, claro, além da libertação do Fundo financeiro tão falado e proposto por Pequim e que, no horizonte, não é vislumbrado…

 

3. O Brasil é essa potência emergente que não soube lidar com as desigualdades sociais e uma melhor distribuição do bem-estar e riqueza. Recentemente, as suas ruas foram incendiadas por um movimento popular que reivindicou maior qualidade de vida e combate à corrupção.

Não foram, não, os habitantes das favelas, esse outro cancro brasileiro, que desceram à cidade dizendo da sua justiça. Não. Foi uma classe média que viu desaparecer a esperança de um futuro melhor, ensanduichada entre uma classe política geralmente incompetente e a ganância de um sector privado pouco ou nada virados para a vertente social.

No entanto, nos últimos dias, um outro Brasil se ergueu, o da fé. Impressionante as imagens que vimos da praia de Copacabana ocupada por milhões de fiéis, unidos para ver e ouvir o Papa Francisco, no âmbito das Jornadas Mundiais da Juventude.

Este Papa está a ser uma lufada de ar fresco, dentro do espartilho que é a doutrina da Igreja Católica e as paredes do Vaticano.

Ao vermos aquele mar de gente, aquela onda humana profundamente religiosa, quase chegaríamos à conclusão de que tudo vai bem para os lados dos católicos e da Igreja de Roma.

Lá no fundo, contudo, sabemos que não é bem assim e essa será uma tarefa ciclópica do novo Papa desvendar os mistérios dos corredores do Vaticano…

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