António Cardinal*

António Cardinal*

Em Dezembro de 1997, o Ilusionismo nacional estava em alta. O MagicValongo de 1997, realizado em Setembro, tinha deixado as melhores impressões além fronteiras, com espectáculos, de palco e close-up, de grande classe, graças ao nível dos convidados, alguns trazidos aqui à memória, como Luís de Matos, Pedro Lacerda Machado, Camilo Vasquez, Myles Sinclair, The Cantervilles, Tony Thompsom & Blondie, Mr. Lapin, Marco, vindo do Peru, e o saudoso Fred Allen.

Para além da euforia provocada pelo êxito do recém terminado 6º Festival Internacional de Ilusionismo-MagicValongo/97, o Ilusionismo português tinha recebido em 1997, em Dresden, a responsabilidade de organizar a FISM 2000, sob a batuta do Horáco Carlos Basto/Horcar, num ano que coincidiria com as comemorações da passagem dos 50 anos da Fédération Internationale des Sociétés Magiques.

Em Dresden, na FISM/1997, seria “Grande Prémio” o russo Ivan Necheporenko, enquanto que em Magia Geral os alemães  Junge Junge obteriam o título de “Campeão do Mundo”. Pouco depois viriam a actuar no MagicValongo como convidados de elite, tal como os também premiados desse ano: Boris Wilde e Manuel Muerte.

Este era o panorama entusiástico que o Ilusionismo nacional vivia em 1997. E, como é costume dizer-se, “eis, senão quando” a morte, sem notificar, leva o Presidente FISM Horácio Carlos Basto, o Horcar da “nossa” Associação Portuguesa de Ilusionismo. No dia 6 de Dezembro esse maldito “palco” recebia em cortejo o “nosso” Horcar, chegado inopinadamente na noite de 4ª feira de um Congresso realizado em Reykjavik, onde tinha recebido “aviso”. Um dia depois Horcar ia-se embora. O Ilusionismo português perdia um dos seus mais destacados dirigentes associativos e um enorme Ilusionista. Da estupefacção à reorganização da equipa, face ao compromisso assumido com a FISM, foi urgente secar lágrimas e arregaçar mangas, daí a entidade nacional responsável ter designado Fernando Marques Vidal, um mágico natural de Albergaria-a-Velha, que desde 1980 já vinha a ter participação activa nos corpos directivos da API, para, face ao imprevisto desaparecimento do Horcar, assumir a respectiva presidência.

Marques Vidal daria corpo à continuidade do projecto FISM/2000, acompanhado de Luís de Matos e Pedro Lacerda Machado. Uma das primeiras acções desta equipa foi convidar o aclamado pintor português José de Guimarães para criar o respectivo logótipo, artista com obra em Macau. A propósito deste logótipo diria José Guimarães: “.O escritor conta histórias. O mágico ilusiona. O pintor, tal como o mágico, cria ilusões, mas também descreve e narra”.

Se Dezembro de 1997 parecia ter “esgotado” as surpresas, saldadas em morte, a 15 desse mês uma outra notícia viria a chocar a comunidade mágica, sobretudo a nacional. O Saiur, nascido em 1932, em Viseu, surpreendia-nos com a sua partida. Em Dezembro de 1997, a “morte” reaparecia e a equipa da FISM 2000 via-se, mais uma vez, amputada de um dos seus mais valiosos colaboradores. Saiur tinha-se estreado, em Palco, em 1953 iniciando aí um percurso mágico cheio de êxitos. Em 1961 foi considerado o “Ilusionista amador mais completo” alcançando o 1º prémio de Manipulação, no Torneio Ilusionista Coimbrão, e em 1966 foi 1º prémio de Magia Geral no Festival Internacional da Figueira da Foz. Saiur terá sido o primeiro Ilusionista português a fazer  produção de “pombas”, inspirado no norte-americano Channing Pollok, celebrizado no filme “Europa à Noite”. Foi fundador da Secção de Ilusionismo dos Josés de Portugal, secção que viria, mais tarde, a extinguir-se para dar corpo ao clube Associação Portuguesa de Ilusionismo/API. Destaco, ao jeito de gratidão, a sua colaboração activa, preciosa e variada dada ao Festival Internacional de Ilusionismo MagicValongo.

 

DICAS

 

– Nos finais de Novembro, faleceu o Ilusionista espanhol Juan Gabriel, vítima de um “truque” abrupto levado a cabo pelo seu coração. Minutos antes, Juan Gabriel tinha sido aplaudido pela sua magia viva e contagiante. Um nome relevante do Ilusionismo do Mundo que partiu aos 60 anos de idade. Em 1993 foi convidado VIP do MagicValongo-Festival Internacional de Ilusionismo. Impossível esquecer o efeito “Tripla Fantasia” apresentado pela primeira vez em Portugal por Juan Gabriel, hoje replicado por Ilusionistas de fama mundial, como Luís de Matos.

 

– Andou mal, muito mal, o Governo com o caso dos contratados para a festarola do 2º aniversário, festejado em Aveiro. Andou bem a oposição, PSD e CDS. Melhor o CDS representado, ao mais alto nível, pela já incontornável presidente Assunção Cristas, enquanto o PSD resgatava com distinção Luís Montenegro para “bater” no 1º Ministro. Dúvida de Mágico: razões óbvias de ponderação verbal, estarão na origem deste regresso de Luís Montenegro?

 

* Ilusionista – coordenador do MagicValongo Festival Internacional de Ilusionismo