José Rocha Diniz

José Rocha Diniz

A propósito da Universidade de Macau ter publicamente lamentado a morte de Mário Soares e manifestar o seu agradecimento ao “enorme apoio” que o antigo PR lhe prestou, surpreende-me que a Universidade de São José não tenha feito o mesmo, embora tivesse até mais razões para o fazer.

É que muita gente em Macau sabe que a USJ (inicialmente como Instituto Inter-Universitário de Macau) nasceu de uma iniciativa conjunta do Presidente Mário Soares e do então Bispo D. José Policarpo, que entre 1988 e 1992 foi também Reitor da Universidade Católica Portuguesa. De quem partiu a ideia é hoje difícil de saber porque ambos faleceram, mas que o projecto nasceu de conversas entre ambos, isso sabe-se de fonte segura.

Por isso, na primeira parte da década de 90, D. José Policarpo chegou a Macau para abordar com o Governador Rocha Vieira o modo de criar aqui uma instituição de ensino superior de matriz portuguesa que pudesse perdurar depois de 1999.

Não foi uma questão fácil de resolver, em face das desconfianças da parte chinesa do Grupo de Ligação Conjunto Luso-Chinês, e só a intervenção de Rocha Vieira apoiada pelo Presidente Mário Soares aplanou o caminho.

Foi em 1996, que acabou por surgir o Instituto fundado por uma Fundação instituída pela Universidade Católica de Portugal e pela Diocese, então liderada pelo Bispo D. Domingos Lam, que a partir de 2009 passou a chamar-se Universidade de São José.

Quem acompanhou o assunto bem se recorda que foi graças ao “republicano, socialista e laico” Mário Soares que a Universidade Católica está, de algum modo, implantada em Macau, e é lamentável que a USJ pareça não ter memória.