Jorge Silva*

Jorge Silva*

1. O acidente mortal desta semana, vitimando uma mulher, atropelada por uma carrinha, puxada por um autocarro da Nova Era, já provocou reacções do governo que suspendeu os motoristas, a tempo parcial, das operadoras do sector. Independentemente de eventuais problemas técnicos dos autocarros, o que parece não ter sido o caso, os motoristas conduzem a uma velocidade excessiva dentro da cidade e ilhas e este é um assunto que ainda não foi abordado.

Neste acidente fatal, tudo indica que houve uma desatenção do condutor, talvez na pressa de chegar ao próximo destino. Não sabemos até que ponto as operadoras recompensam ou não a poupança de combustível e o facto de se chegar primeiro às paragens. Os autocarros, sobretudo à noite, são conduzidos a uma velocidade excessiva e só por milagre mais acidentes e atropelamentos não acontecem.

Não é uma questão apenas dos condutores dos autocarros – numa cidade tão pequena e com vias com poucas ou nenhumas escapatórias, os taxistas também gostam de acelerar o que deixa, muitas vezes, alarmados ou em pânico, os passageiros que transportam.

O CPSP, departamento de trânsito e os Serviços de Tráfego deveriam começar a actuar, sem hesitações, para manter, sob controlo, as velocidades utilizadas pelos condutores de autocarros e de táxis e, já agora, alguns motociclistas, pelas técnicas assustadoras quando têm um volante à mão…

 

2. Continua a ladainha das responsabilidades políticas após a passagem trágica do Tufão Hato. O Hato já passou, agora a tarefa é colocar trancas na porta e tomar as medidas necessárias e urgentes para evitar mais mortes e estragos quando chegarem os próximos tufões. O Hato foi de uma intensidade tal, imprevista, que o território não estava, de todo, preparado para sofrer o seu impacto.

Os fenómenos relacionados com tufões e a luta contra os elementos, são de grande violência, é só ler e ver as notícias todos os dias por esse Mundo fora. Ora, a população da RAEM foi avisada, com tempo, do içar do sinal 8 e o que isso implica. Pois, algumas pessoas resolveram passear nas ruas, outras estavam em parques de estacionamento a vigiar os seus carros… Se, com o 8, tais acções revelaram perigosa leviandade, calcule-se quando chegou o 10…

Que culpa têm o Chefe do Executivo, o secretário Raimundo do Rosário ou o antigo director dos Serviços Meteorológicos que as recomendações não tivessem sido seguidas?

Nas Caraíbas, também no ano passado, furacões nunca vistos tudo varreram e os dirigentes políticos não foram culpabilizados face a condições atmosféricas inauditas. A questão, lá como aqui, é aprender com os erros, eventuais falhas e prever o pior, se tal acontecer.

Onde há, julgo eu, responsabilidade política é no reordenamento do Porto Interior, um projecto, apesar de alguma obra feita, adiado pelos governos portugueses e da RAEM, uma obra que urge ser concretizada.

 

* Jornalista