António Cardinal*

António Cardinal*

Ao sábado o “Impossível” será mágico

Estreou-se no dia 2 de Setembro o “Impossível”, um programa do Ilusionista Luís de Matos, em directo e “sem rede”, produzido para a RTP 1 a partir de Ansião, do Estúdio 33. Este espaço, a que Luís de Matos deitou “mãos à obra” em 2003, tem à sua volta uma área verde que ronda os 3.500m2 e dispõe de equipamentos de moderna tecnologia, garantindo autonomia energética, além de um heliporto, parque de estacionamento para 100 viaturas, mais três camiões. O espaço interior, polivalente, tem capacidade para receber 400 pessoas, dispondo de um palco permanente com uma área de 150m2.  É desta maravilha mágica que se torna possível produzir o “Impossível”, anunciado para oito semanas, sempre ao sábado, pelas 21h00.

Este primeiro programa trouxe, para além dos convidados de palco, acompanhados por uma orquestra dirigida por Nuno Feist, o consagrado actor Joaquim Almeida, vencedor em Portugal de três Globos de Ouro, e o israelita Uri Geller, que parece estar de regresso à Arte do Ilusionismo depois de um período controverso e mal aceite pela maioria da comunidade mágica.

O “Impossível”, com a sala do Estúdio 33 a abarrotar, e após Luís de Matos ter aparecido em palco de forma mágica dentro de um automóvel, feitas as devidas apresentações, entra em cena Yu Ho Jin, sul-coreano, vencedor do Grande Prémio e 1º Prémio de Manipulação FISM/2012. Nesse ano, a FISM comemorava o 25º Campeonato. Curiosamente, na disciplina Manipulação, os três premiados, num estilo que está a fazer escola, a partir do português David Sousa, seriam sul-coreanos. Lukas, o 2º, viria a repetir em 2015, na FISM/Itália, e Kim Hyun Joon seria o 3º. O acto de Yu Ho Jin, acompanhado ao piano por Nuno Feist, foi tecnicamente brilhante. Manipulou cartões (cartas) tradicionais e não tradicionais, estes identificados com cores garridas, sem malabarismos tontos, partindo da transformação de um cachecol branco. A sua pose em palco cria enorme expectativa. Movimenta-se de forma imperceptível, envolvendo as mãos em gestos que nos paralisam o olhar para nos determos na expressão poética do gesto. O italiano Marco Zoppi fantasista em efeitos com “bolas de sabão” foi um momento interessante tal como a dupla holandesa Magus Utopia em “Grandes Ilusões” a oferecer-nos, através de um sonho, um conjunto de efeitos “vestidos” de forma a misturarem-se entre a ilusão e o estranho, numa coreografia que nos pareceu, em certos momentos, confusa.

Houve, todavia, três momentos que registamos como relevantes. Um refere-se à exemplar intervenção do pivot Luís de Matos, na pele de Ilusionista, com a “fatiação” da assistente recuperada incólume segundos depois. O segundo é marcado pela actuação de Richard Turner, em Cartomagia de mesa, um americano de 63 anos invisual (!), cujos primeiros sintomas provocados por escarlatina apareceram aos nove anos de idade. Infelizmente, aos 23 anos cegou. Turner, sucesso mundial, já mostrado em vários palcos e programas mágicos, com destaque para o programa da dupla mágica Penn & Teller, mantém-se no Ilusionismo, não como “uma curiosidade” mas como um Ilusionista de mérito.

Na actuação de Richard Turner não há brandura crítica, por parte da plateia. Há, isso sim, reconhecimento da Arte que nos disponibiliza. Inacreditável a forma como controla, distribui e solta as cartas. Finalmente, o terceiro momento, o histórico, representado no encontro de Luís de Matos com David Copperfield no local “secreto” onde guarda memórias e, naturalmente, guarda um espólio considerável, sobretudo documental, indispensável para um dia se fazer a História Universal do Ilusionismo. Esta colaboração, segundo Luís de Matos, manter-se-á até final das edições do “Impossível”, tal como, num outro plano, a presença do galego Luís Piedrahita, nascido na Corunha em 1977, premiado no MagicValongo de 1998 e campeão de Espanha, em close-up em 1999, com experiências, como guionista, vividas na Rádio, Teatro, Televisão e Cinema. Luís Piedrahita foi galardoado este ano pela Academia das Artes Mágicas de Hollywood.

 

DICAS

– O 26º MagicValongo-Festival Internacional de Ilusionismo, realizar-se-á nos próximos dias 22, 23 e 24, deste mês. O prémio Incentivo, destinado a motivar e apoiar concorrentes que evidenciem capacidades de progressão, de que são exemplo os portugueses Helder Guimarães (o único campeão mundial FISM) ou  David Sousa 2º Prémio FISM e Mandrake d’Or, Varinha Mágica de Ouro/Monte Carlo, Troféu de Prata – “Shanghai International Magic Festival”, terá nesta 26ª edição o patrocínio do Jornal Tribuna de Macau.

 

– Pedrogão Grande continua a arder. Desta vez, as labaredas crepitam na floresta dos dinheiros solidários, angariados para minorar os danos da tragédia e recuperar dos danos materiais vítimas que vão do particular ao pequeno proprietário e médias empresas. Entretanto, os fumos, da “partidarite” eleitoral, elevam-se e deixam preocupantes avisos. Dúvidas mal esclarecidas, atribuídas a “entidades privadas” onde consta a Santa Casa da Misericórdia local, cujo responsável tem em curso a sua candidatura à autarquia, podem queimar solidariedades futuras. Dúvida de Mágico: na misericórdia da dúvida, depois das explicações do Governo, haverá entidades com uma lista estratégica?

 

* Ilusionista – coordenador do MagicValongo Festival Internacional de Ilusionismo