António Marques da Silva*

António Marques da Silva*

Não diga que o mundo lhe deve algo. O mundo não lhe deve nada. Ele estava aqui antes. Mark Twain (1835-1910).

 

1. As últimas estimativas do Instituto Nacional de Estatística de Portugal (INE) dão conta de um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) português de 2,8% no primeiro trimestre de 2017, relativamente ao primeiro trimestre do ano passado.

E, como o pior cego é aquele que não quer ver, a deputada do PSD Inês Domingos tirou o coelho da toca e apressou-se a afirmar que isso “se deve às reformas realizadas pelo anterior Governo, à conjuntura internacional e na União Europeia mais favoráveis”, ignorando a política de reposição de rendimentos e de aumento do investimento deste Governo e as consequências visíveis da nova política em termos de consumo interno, de  crescimento económico e de diminuição do desemprego.

Cegueira, memória curta, pesporrência e falta de vergonha. E arrogância de gente que se tem como “predestinada” e infalível, incapaz de admitir os próprios erros e de reconhecer que não existe no mundo uma única verdade, um único caminho. Gente que, já o demonstrou, não sabe nem merece governar.

A eles se pode aplicar, com toda a propriedade, aquela outra frase (com “sotaque” brasileiro na tradução) do autor citado: “Quando o único instrumento que você tem é um martelo, todo problema que aparece você trata como um prego”.

 

2. “Lá ao longe, ao sol, encontram-se as minhas aspirações. Poderei não alcançá-las, mas posso levantar os olhos, ver a sua beleza e acreditar nelas”, que “aquele que tem uma ideia é um tipo esquisito até que a ideia vença”. São mais duas frases de Mark Twain, que se encaixam na nova realidade política e social do meu País.

Na confiança no futuro que é essencial ao progresso dos povos e que se restabeleceu afastando a fatalidade, o negativismo, o subserviente vergar da espinha perante o estrangeiro, a insensibilidade social, o Presidente, o Governo e os partidos que o suportam na Assembleia da República têm sabido, no respeito pela diversidade das suas ideias e ideologias, colocar em primeiro lugar os interesses das pessoas e transmitir aos trabalhadores, aos cientistas, aos empresários, aos jovens e aos menos jovens, optimismo e esperança.

Os resultados estão à vista, que pensamentos positivos atraem coisas positivas: fomos, no ano passado, campeões europeus de futebol e de hóquei em patins, o país está na berra em termos de turismo e demais exportações, a solução governativa “geringonça” (saiu o tiro pela culatra aqueles que depreciativamente assim a baptizaram) funciona e é objecto de estudo internacional, os nossos cientistas e investigadores estão empenhados naquilo que de melhor se faz, temos das melhores universidades e um Serviço Nacional de Saúde que, apesar de todas as dificuldades, é considerado o 12.º melhor do mundo, a economia e o emprego crescem, etc.

Em suma, podemos estar a meio da tabela, mas estamos no pelotão da frente dos países desenvolvidos, apesar de sermos poucos, num país pequeno. Basta, afastemos de vez essa nossa tendência judaico-cristã para o martírio e para a autoflagelação.

E, cereja no topo do bolo, no passado Sábado, Salvador Sobral ganhou, com a maior votação de sempre, o Festival Eurovisão da Canção, com uma canção bonita e intimista (já o ouvi interpretá-la várias vezes e acho que nunca as interpretações foram iguais, o que lhe advirá do mundo do jazz, esse género musical de que tanto gosto) num meio onde a banalidade tem sido premiada.

“Amar por dois”, o coração, a beleza e o sentimento ganharam. Algo estará a mudar no mundo? Sinceramente acredito que sim e, mais uma vez, Portugal está a contribuir, como no passado, para “dar novos mundos ao mundo”.

Não somos indigentes. Somos um povo criativo, capazes de nos erguermos quando pouco acreditam, e que honra os seus compromissos.  Mas nada de euforias, ainda andam por aí à solta muitas aves agoirentas à espera do regresso do “diabo”.

Volto a sentir o respeito e a admiração da comunidade internacional por Portugal, como senti quando viajava pela Europa, nos anos a seguir à “Revolução dos Cravos”, pelo na altura contagiante contributo da nossa revolução pacífica para o fim de ditaduras na Grécia, em Espanha, no Brasil e em outros países da América Latina.

 

* Jurista