Luiz de Oliveira Dias*

Luiz de Oliveira Dias*

Missão muito bem cumprida, deveria antes dizer. É que há casos em que uma pessoa que começa a exercer as funções para que foi convidada vai além do seu simples bom cumprimento. Foi o caso do Prof. Carlos André que vai regressar em breve a Portugal.

Tão afastado estou da vida académica coimbrã (que não do seu espírito, da sua alma e das minhas saudades) que nunca tinha ouvido falar de Carlos André até saber que tinha sido convidado pelo Instituto Politécnico para formar e dirigir um dos seus novos Centros de Estudos. Ao ver, porém, os passos principais do seu curriculum comecei por ficar admirado com o facto de um catedrático da Faculdade de Letras de Coimbra e seu antigo director vir para Macau dirigir um centro de estudos.

Quando casualmente o encontrei pela primeira vez, disse-me que já estava a compor esse Centro, que este seria dedicado ao Estudo Científico e Pedagógico da Língua Portuguesa e que iria convidar para o acompanharem nesse projecto 5 dos seus colegas da Faculdade, todos como ele com o grau de doutoramento.

Só mais tarde comecei a conhecer a verdadeira dimensão desse projecto que desenvolve com o apoio directo do próprio Presidente do IPM. A sua finalidade, vim a saber, era a formação de professores de Português para Universidade chinesas interessadas em abrir o respectivo curso e – a diferença – é que tais professores iriam ser escolhidos e formados dentro dos seus próprios docentes.

Aos poucos esse audacioso projecto foi sendo concretizado em dezenas de Universidades chinesas espalhadas por todo o gigantesco território da RPC, contactadas uma-a-uma pessoalmente por Carlos André. Há poucos dias, ouvi-o dizer numa entrevista que, nestes anos em que esteve em Macau, passou mais tempo na China do que aqui.

Há cerca de dois meses voltei a encontrá-lo. Foi então que me disse que iria terminar no próximo ano a sua colaboração ao Politécnico, vencido pela generalidade e abstracção da lei do limite de idade, uma lei que nunca deveria ser abstracta nem geral.

A última vez que soube dele, pois ainda cá está, foi no lançamento de mais uma obra sobre o ensino do Português na China curiosamente, na Mesa presidida pelo Professor Lei Heong Iok, estavam o Professor Malaca Casteleiro, da Universidade de Lisboa e Carlos André da de Coimbra. Duas das maiores e mais respeitadas Universidades portuguesas juntas com o Politécnico neste importante projecto.

Pouco depois, conhecemos mais uma iniciativa do Professor André. Num dos últimos fins-de-semana, 40 professores dos que ensinam Português em universidades chinesas juntamente com mais 10 dos quadros do IPM e alguns vindos especialmente de Portugal e do Brasil reuniram-se numa grande Universidade chinesa para participarem no 4° Fórum do Ensino do Português na China numa organização conjunta dessa instituição e do Politécnico. No comunicado que anunciou este acontecimento sublinha-se que este será mais um momento de informação da importância do ensino da Língua Portuguesa em instituições de ensino superior chinesas e do papel que, neste domínio, tem vindo a ser desenvolvido pelo Politécnico.

Um final muito acima do que o discreto funcionamento daquele Centro até hoje conseguiu. Aqui está uma das tais missões cujo sucesso foi muito além do que podia ter sido imaginado.

 

* Docente. Anterior presidente do Instituto Politécnico de Macau.