Luiz de Oliveira Dias*

Luiz de Oliveira Dias*

Três ou quatro dias sem jornais bastaram para que os que saíram no que restava da primeira semana do ano trouxessem uma chuva de notícias que, apesar de bem organizadas pelo talento dos grafistas, acabou por dificultar a nossa escolha de quais eram as mais significativas. E isto à mistura com as tradicionais mensagens dos senhores da política, desde o Secretário Geral das Nações Unidas ao Presidente da Comissão Europeia, da Chanceler Alemã ao Presidente da França, do Presidente Xi ao Coronel Putin, do Rei de Espanha ao Presidente Marcelo Rebelo de Sousa. Só me não lembro de ter ouvido a do ainda Presidente dos Estados Unidos – ou se ouvi, logo esqueci – atarantado como deve estar com os efeitos da publicação de um livro-bomba já lido por milhões de pessoas em todo o mundo.

Mensagens leva-as o vento mas, nem todas. Por mim, as que li com mais atenção foram obviamente as do Papa e do Bispo de Macau, dos Presidentes de Portugal e da China e as do Chefe do Executivo e do Director do Gabinete de Ligação. As outras já as levou o vento para não voltarem pois como de costume não passavam de lugares comuns a anunciarem propósitos e promessas que nunca chegariam a ser cumpridas. Das que eu li, ficaram-me algumas lições:

A recomendação do Papa para abrirmos os nossos corações aos emigrantes – (até a nós, em Macau, que de alguma forma também somos imigrantes…) e a do Bispo de Macau (também ele um imigrante na RAEM) ao exortar os pais a ouvirem as preocupações dos filhos e a os ajudarem “a crescer em liberdade, maturidade, disciplina e autonomia”.

Importante também, como sempre, o conselho do Presidente Rebelo de Sousa para “reinventarmos” o Estado e para passarmos a respeitar mais os partidos com representação no Parlamento. Mas nós, aqui?

Ou do Director do Gabinete de Ligação que recorda que “temos de assegurar a consolidação e o aperfeiçoamento contínuo dos 5 mecanismos aprovados no último plenário da Assembleia Popular Nacional”. Nós? E nos aconselha, do alto da sua enorme autoridade, a “agarrar a oportunidade histórica da construção da Grande Baía. Mas, agarramos como? Mas, já entendemos e acreditamos o Presidente chinês quando promete que tiraria “os seus concidadãos da pobreza extrema até 2020” e que prosseguirá o processo das reformas economias internas, “o único caminho” para continuar o enorme crescimento económico e financeiro do pais.

Tirando isto, e enquanto o Parlamento português se entretém a discutir uma semi-obscura Lei do Financiamento dos Partidos e a Inglaterra, em lugar de aplaudir a coragem e a descontracção do Príncipe Harry – aliás com o apoio da sua avó, a Rainha – ao mandar as convenções às malvas e casar com uma ex-actriz afro americana divorciada, já fazem contas a quanto irão lucrar com o evento.

Entretanto, com ou sem mensagens, nós, aqui no Estuário, vamo-nos esforçando por continuar a amar (a nossa) Pátria e a servir Macau.

 

P.P.: Ufana-se o Presidente da Câmara, ou seja, o Mayor, da cidade de Windsor por achar que o castelo de Balmoral que acolherá o casamento real é, com os seus 900 anos, o mais antigo castelo do mundo. Ledo engano: para não ir mais longe, dos de Guimarães aos vários de Trás-os-Montes, aos da minha Estremadura (Leiria, Pombal e Porto de Mós), aos de Almourol, Santarém, Tomar, Lisboa e Palmela e, já na Moirama, Alvito e Silves todos são um ou dois seculozitos mais antigos… Sorry.

 

* Docente. Anterior presidente do Instituto Politécnico de Macau.