Jorge Silva*

Jorge Silva*

  1. No espaço de uma semana, duas personalidades que marcaram este território, cada uma à sua maneira, foram alvo de duas justíssimas homenagens ou tributos – Rui Afonso que, infelizmente e de forma prematura, nos deixou, e o jornalista e investigador da TDM, João Guedes.

Graças a uma iniciativa do incansável advogado Sérgio de Almeida Correia, foi possível passar em revista as enormes qualidades do dr. Rui Afonso, que esteve ligado à modernização da máquina da administração pública do território no início da década de oitenta.

Macau não sabia o que era uma estrutura de serviços, algo que foi criado pelo governador de então, Almeida e Costa, e coube ao dr. Rui Afonso ficar à frente dos Serviços de Administração Pública, onde deixou obra e os alicerces para que aquela estrutura se revelasse fundamental para o desenvolvimento de Macau até aos dias de hoje.

Depois, o dr. Rui Afonso ingressou na actividade privada exercendo a advocacia, em paralelo com as funções de deputado antes da transferência de administração. Mais uma vez, a sua voz foi, sempre, das mais lúcidas do hemiciclo deixando um lugar vago difícil de preencher.

A morte levou-o, mais um distinto amigo partiu, neste dois últimos anos em que perdemos demasiados amigos.

 

  1. A Associação de Jornalistas de Língua Portuguesa e Inglesa organizou a outra homenagem a João Guedes, jornalista e investigador da TDM, que se reformou da empresa. O João sempre se interessou, genuinamente, pela História do território dedicando, anos a fio, toda a atenção aos marcos mais importantes de Macau.

Sabia e sabe, as principais incidências do percurso histórico de uma terra especial como esta, só possível para quem se radicou nesta zona do globo, isto é, João Guedes não esteve aqui de passagem, pelo contrário, ajudando-nos a compreender o que Macau foi e é.

Se me é permitida uma nota pessoal, o João Guedes foi a primeira pessoa em Macau que dois jovens jornalistas conheceram,  acabadinhos de chegar ao território no distante ano de 1983. Estava no velho terminal de jet-foil à minha espera e do Paulo Nogueira, agora na agência noticiosa Lusa. Nunca nos tínhamos visto, não nos conhecíamos, apenas havia a indicação de que um tal João Guedes estaria à nossa espera…

 

Foi ele que nos introduziu e explicou Macau…

 

  1. O deputado Mak Soi Kun fez um apelo às autoridades, absolutamente correcto, sobre o estado de prédios mais antigos e degradados de Macau, chamando a atenção para o perigo de derrocadas e incêndios. Para além do brilho das luzes, dos casinos, hotéis de luxo e condomínios de categoria, há uma série de edifícios a precisar de urgentes reparações e pinturas, que substituam o casco velho e horrível da paisagem da cidade.

Não se trata de, apenas, de embelezamento da cidade. É para evitar tragédias como assistimos com o prédio de Londres…

Que tal o governo se entender com os proprietários desses edifícios para que os trabalhos sejam efectuados o mais depressa possível?

 

* Jornalista