HÁ 20 ANOS
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O ex-presidente da República, Mário Soares, sugeriu a Tung Chee-hwa que visite Portugal por ocasião da Expo’98 e colocou a possibilidade de uma participação do Território na exposição mundial. “Falei sobre a nossa Expo’98 e sondei a possibilidade de Tung Chee-hwa visitar Portugal por ocasião da exposição, sugestão que não foi posta de parte, e também a possibilidade de Hong Kong se fazer representar na exposição”, disse Mário Soares depois de um encontro que manteve com o Chefe do Executivo de Hong Kong. Durante o encontro, de cerca de 30 minutos, Mário Soares informou também Tung Chee-hwa sobre as actividades da Comissão Mundial Independente sobre os Oceanos (CMIO) de que é presidente e convidou o Chefe do Executivo da Região Administrativa Especial da China a participar numa reunião futura da comissão “com a possibilidade de vir a ser organizado em Hong Kong algum evento da comissão dos oceanos”. Mário Soares, que se encontrou com Tung Chee-hwa acompanhado pelo cônsul de Portugal em Hong Kong, Fernando Pinto dos Santos, pelo assessor diplomático do governador de Macau, Domingos Fezas Vital, e por Mário Ruivo, coordenador da CMIO, descreveu o Chefe do Executivo de Hong Kong como “um homem extremamente inteligente, cortês e experimentado, um homem com muito mundo”. “Tung Chee-hwa disse-me que era um homem de negócios que só agora veio para a política, respondi-lhe que é fácil um homem de negócios entrar na política e o que não deve acontecer é um político entrar nos negócios”, comentou. O ex-presidente da República encontrou-se com Tung Chee-hwa horas antes de embarcar para Lisboa depois de uma visita de dois dias a Macau no regresso de uma deslocação a Tóquio, onde proferiu uma conferência na qualidade de presidente da CMIO. Entretanto, para além dos convites de Mário Soares, o Chefe do Executivo de Hong Kong recebeu ainda outro convite – para visitar Macau – que lhe foi transmitido através de uma carta de Rocha Vieira, entregue por Fezas Vital. Depois do encontro com Tung Chee-hwa, Mário Soares deixou ainda uma mensagem de confiança sobre o processo de transição de Macau para a administração chinesa que disse estar a decorrer “de acordo com o programado”. “Tudo está a decorrer de acordo com o programado, ambas as partes (Portugal e China) vão ser fiéis à Declaração Conjunta (Luso-Chinesa sobre o futuro de Macau) e tudo está decidido nessa declaração conjunta”, disse. Para o ex-presidente da República, durante cujo mandato foi assinada a Declaração-Conjunta, em 1987, “os portugueses têm razão para terem orgulho em Macau, porque quando deixarmos Macau vamos deixar algo de muito importante”.