HÁ 20 ANOS
HÁ 20 ANOS

Rocha Vieira terminou a sua visita oficial à República da Coreia com a certeza de que as autoridades sul-coreanas desejam “explorar todas as áreas de interesse mútuo e reforçar a cooperação”. “Foi uma visita em que as autoridades sul-coreanas mostraram grande conhecimento dos assuntos de Macau e que levará certamente ao reforço das relações bilaterais, na perspectiva de uma continuidade após 1999”. Em Seul, Rocha Vieira assinou o acordo aéreo entre Macau e a República da Coreia e manteve encontros com o primeiro-ministro, Koh Kun, e com o ministro dos Negócios Estrangeiros, Yoo Chong-Ha, que ofereceu uma recepção ao governador de Macau onde estiveram presentes membros do governo, da oposição e responsáveis das duas companhias áreas que voam para Macau – Korean Airlines e Asana. Nos encontros de Rocha Vieira foi abordada a possibilidade de se desenvolverem as áreas comerciais, económicas, universitárias e de turismo, tendo ficado acordado que “os contactos prosseguirão a partir de agora a nível técnico”.

 

MACAU PASSA NO EXAME DOS DIREITOS HUMANOS

Vários membros do Comité dos Direitos Humanos da ONU exortaram Portugal a fazer o seu melhor para exigir a China o respeito pelo Pacto dos Direitos Políticos. Portugal foi ainda solicitado a assegurar o envio de relatórios ao Comité depois da transferência da soberania de Macau para China em finais de 1999. Tais apelos foram feitos numa sessão nas Nações Unidas em que uma delegação macaense prestou esclarecimentos sobre várias questões levantadas pelo Comité. Um relatório apresentado por Macau e as explicações adicionais oferecidas pela delegação causaram uma excelente impressão em todos os membros do Comité, que não pouparam elogios à delegação. Lord Colville terá traduzido melhor o sentimento dos membros do Comité quando disse que “todas as delegações deviam ser como esta”. Para além das questões de ordem política, nomeadamente os direitos e liberdades dos macaenses após a transição para a soberania chinesa, o problema da prostituição em Macau mereceu também referência de vários membros, tendo alguns deles relevado conhecer situações de pormenor. Um dos membros do Comité referiu situações que, segundo disse, poderiam ser rotuladas de “trabalhos forçados” ou “escravatura” nos meios de prostituição. O chefe da delegação macaense, Jorge Costa Oliveira, admitiu a existência da prostituição e a sua possível exploração pelos sindicatos do crime, mas indicou que o combate ao problema se tem revelado difícil e objectou contra a descrição de situações de “trabalho forçado” dizendo que um telefonema para um Consulado custa apenas 25 cêntimos. Um outro membro do Comité contestou que não se tratava de uma questão de um telefonema para denunciar uma situação, mas duvidou que as vítimas do tráfico humano consigam ter acesso a um telefonema.