Albano Martins*

Albano Martins*

1. No dia 1 de Setembro deste ano, escrevia eu nestas colunas “(…) Agora, grande desvio vai ser o da previsão do PIB de Macau para 2017 feita pelo FMI, que tem vindo a andar na onda, umas vezes na crista e outras na cava, passando de 0,7 para 0,2 e depois 2,8 e finalmente para 2,5 por cento!

Ou da Moody’s que aponta um PIB de 2,5 por cento, mas negativo!”

Mais tarde voltei a escrever sobre isto afirmando que “(…) em Dezembro do ano passado dizia ainda nestas páginas que era expectável uma quebra substancial da formação bruta de capital fixo (FBCF), que é, como se sabe, a maior componente do Investimento!

Dados da Estatística apontam para um crescimento nos três trimestres deste ano de 9,3 por cento em termos reais, com a formação bruta a cair, em termos reais também, 2,23 por cento, mas essa queda vai acelerar-se em finais deste ano, sendo que a FBCF poderá provavelmente sofrer uma queda a dois dígitos no final de 2017.

Ora, se isso acontecer é muito provável que o crescimento da economia não atinja os dois dígitos, apesar do aumento continuado das receitas do jogo, ficando abaixo mesmo do crescimento operado até ao terceiro trimestre!

Por outro lado, o deflator está a ser menos “simpático” para a economia, puxando-a para baixo!

O crescimento real do PIB de Macau poderá, assim, rondar os 8,1 por cento em 2017! (…)”

Acredito hoje que, apesar do crescimento das receitas do jogo ter sido de 19,05 por cento em 2017, não estarei muito longe da verdade.

Assim, dificilmente no final do ano o nosso PIB real poderá atingir os dois dígitos, dada a quebra substancial da FBCF.

Portanto, as previsões mais recentes do FMI (salvo erro de Outubro) de que o PIB de Macau iria crescer 13,4 por cento em 2017, fazem-me lembrar de novo as desastradas previsões efectuadas no passado.

Primeiro muito por baixo e agora bastante acima!

Estaremos cá para ver quem fica mais perto, esperando apenas que não haja uma qualquer mão invisível a produzir um belíssimo deflator que faça inchar o nosso PIB!

Para 2018 o PIB vai, na minha modesta opinião, encolher necessariamente mais, ao contrário do que alguma gente diz, primeiro porque tenho dúvidas sobre o andamento da receita dos casinos, acreditando que não será tão forte como a do ano passado (ou seja, pode crescer mas o crescimento será menor), e porque a FBCF se vai estampar por aí abaixo.

 

2. Relativamente à inflação, claro que as previsões do FMI serão de novo desastradas ao referirem 2 por cento em 2017. Com os dados recentes de Novembro (1,18 por cento) ela não irá ultrapassar os 1,2 por cento, mas se quisermos ser mais precisos, inclino-me hoje para 1,2(3) por cento e se errar será apenas numa centésima, acredito, que ontem fui de novo à bruxa que o Ortet me ensinou a usar em períodos difíceis!

 

3. Finalmente um comentário sobre a entrada, embora não definitiva, de Macau na lista negra da União Europeia.

Afirmei no mês passado, quando entrevistado, que essa decisão ia sobretudo complicar a vida comercial das empresas de Macau. Pois, informações que me chegaram há dias confirmam os meus receios. Bancos europeus começam a recusar transferências para Macau e um deles mesmo quer encerrar contas de empresas que têm negócio centrado em Macau!

Mexam-se, senão um dia destes nem os particulares podem transferir as suas poupanças para bancos na Europa, nomeadamente Portugal.

E aí, o caso vai pintar muito mais negro!

 

* Economista. Escreve neste espaço às sextas-feiras.