Albano Martins*

Albano Martins*

Várias vezes tenho escrito sobre o imobiliário.

Nos últimos tempos tenho referido que seria natural, com a recuperação do jogo e com a “recuperação de terrenos” pelo Governo, que os preços das casas iriam disparar!

Há uma correlação muito positiva entre o estado de saúde do jogo e o estado de saúde do imobiliário.

O primeiro dita o segundo.

Vejam.

O jogo começou a mergulhar muito fundo a partir de Junho de 2014! No entanto, como é natural, o reflexo no imobiliário só começou a ser claro alguns meses depois, mais precisamente, três meses depois.

Ou seja, os preços do imobiliário continuaram ainda a trepar até  atingir um pico em Agosto de 2014, altura em que eram 16,33 vezes os atingidos no segundo trimestre de 2003!

Para terem uma ideia, uma casa que valesse um milhão de patacas no segundo trimestre de 2003, valeria no mercado 16.325.371,21 patacas, em Agosto de 2014!

Claro, estamos a trabalhar com valores médios!

O imobiliário afundou-se a partir aí, mês a mês, acompanhando o jogo, a ponto de em Janeiro de 2016, a relação de preços com o segundo trimestre de 2003 estar “apenas” em 11,79 vezes mais!

A partir daí em diante a ideia que prevalecia no mercado do jogo era que a queda do jogo deveria estar a ter os dias contados!

O imobiliário começa, assim, a espevitar, embora com altos e baixos, mas claramente dando o sinal de que iria subir algures uns meses depois, acompanhando o espevitar do jogo.

Até Junho de 2016, com as quedas do jogo cada vez mais próximas do zero, o imobiliário conseguiu atingir uma relação de 12,97 vezes os preços de 2003 (segundo trimestre).

Em Julho de 2016, quando se imaginava que a queda do jogo era para desaparecer em poucos meses (o que aconteceu no mês seguinte para o jogo nunca mais parar de crescer), o imobiliário dispara logo para valores 15,77 vezes mais, sinal que muita gente queria entrar no mercado e estava a pagar bem.

O jogo começa pois a recuperar a partir de Agosto de 2016 e o imobiliário, com uma correcção em Agosto, começa a recuperar de novo, atingindo uma relação de preços com o segundo trimestre de 2003 de 16,75 vezes em Dezembro de 2016!

A partir daí, nova correcção se volta a fazer, agora alimentada pelo efeito causado pela recuperação de terras pelo governo, que criou instabilidade e alguma perplexidade no mercado privado e, portanto, nos investidores.

Os preços voltam a cair, atingindo uma relação de “apenas” 14,27 vezes em Fevereiro de 2017!

A subida a dois dígitos das receitas do jogo em Fevereiro, voltam de novo a puxar para cima essa relação, em Março, que passou a 14,82 vezes!

Qual a tendência a partir de agora?

Infelizmente para quem ainda quer comprar casa, os preços vão continuar a subir até o jogo estabilizar, alimentados ainda pelo efeito de recuperação de terras pelo Governo, que limita a oferta no mercado.

Subindo os preços do imobiliário, sobem igualmente os preços das rendas.

E, com isso tudo, a inflação teria lógica para crescer (embora eu tenha dúvidas que o nosso IPC alguma vez vá reflectir isso ou não continue, ao invés, a tentar concluir o contrário) porque a economia volta a aquecer, está em pleno emprego, não há terras, mas há muito capital quente a tentar fazer lucros o mais rapidamente possível.

Todos os fundamentos da economia apontam para uma subida do imobiliário!

A não ser que um cataclismo volte a acontecer na economia do jogo!

O jogo, o tal bem amado para uns e mal amado para outros!

A selva vem já depois!

 

* Economista. Escreve neste espaço às sextas-feiras.