Eva Cabral*

Eva Cabral*

TRUMP AFASTA-SE DE POLÍTICAS AMBIENTAIS – Logo na campanha eleitoral o Presidente Trump mostrou não ser um ambientalista. Esta semana o director da Agência de Protecção Ambiental dos Estados Unidos confirmou que a administração de Donald Trump está a preparar o abandono das políticas ambientais promovidas pelo ex-Presidente Barack Obama para travar o aquecimento global. Apresentadas em Agosto de 2015, as medidas ambientais, que ficaram conhecidas como plano de energia limpa, visavam restringir as emissões de gases com efeito de estufa, nomeadamente em fábricas alimentadas a carvão. Este plano era uma peça central das políticas ambientais da administração democrata de Barack Obama. Em declarações em Hazard, no Estado do Kentucky, o director da EPA, Scott Pruitt, avançou que vai assinar uma proposta para “a retirada do chamado plano de energia limpa da anterior administração”.

 

HOLANDA QUASE COM GOVERNO – Muitos meses depois das eleições o  primeiro-ministro da Holanda, Mark Rutte, anunciou que foi alcançado um acordo para um governo de coligação entre quatro partidos, com o apoio de 76 deputados dos 150 que compõem o parlamento. O acordo foi alcançado 208 dias depois das legislativas de 15 de Março, o período mais longo de negociações na Holanda desde a II Guerra Mundial. O novo governo vai ser uma coligação formada pelo Partido Popular para a Liberdade e a Democracia (VVD, direita) de Mark Rutte, pelo D66 (liberal), pelo CDA (democratas-cristãos) e pela União Cristã (conservadora). Recorde-se que as legislativas de 15 de Março conduziram a um parlamento muito fragmentado, com 13 partidos representados.

 

DURÃO BARROSO SAI EM DEFESA DA UE – Durão Barroso, antigo presidente da Comissão Europeia, saiu em defesa da UE e diz que não acredita na criação de uma espécie de Estados Unidos da Europa, mas também não antecipa qualquer desintegração do bloco regional. A UE deverá, em vez disso, fazer progressos em direcção a uma maior integração, especialmente impulsionada pelo eixo franco-alemão. “Penso que vamos ver alguns progressos na integração europeia, nomeadamente no que diz respeito à União Económica e Monetária, segurança e controlo das fronteiras”, afirmou o responsável, no balanço do primeiro ano como chairman da Goldman Sachs International. “Não acredito que vamos ter os Estados Unidos da Europa num futuro previsível. Mas acredito que aqueles que previram, e continuam a prever, a desintegração da Europa estão errados. Será um meio-termo”. Durão Barroso sublinhou que o Reino Unido é um dos países mais importantes da Europa e o resultado do referendo não foi bom para a Europa. No entanto, não deu origem “à onda de populismo e extremismo que muitos antecipavam”.

 

AGÊNCIA DO MEDICAMENTO NO PORTO – A cidade do Porto está entre as cinco favoritas para acolher Agência Europeia do Medicamento (EMA), aparecendo classificada com “performance de topo” ou “qualidade muito elevada” nas seis dimensões da avaliação, segundo um estudo agora divulgado. Feito pela consultora Ernst & Young, a pedido da Associação Comercial do Porto (ACP), o estudo “A posição do Porto no processo de relocalização da EMA” coloca a candidatura portuguesa “entre as mais fortes” na corrida à relocalização da agência (que vai deixar o Reino Unido), juntamente com Amesterdão, Copenhaga, Estocolmo e Viena. “O Porto está em jogo para ganhar”, frisou Eurico Castro Alves, representante da Câmara do Porto na Comissão de Candidatura Portuguesa à relocalização da EMA, durante a apresentação da análise “crítica e independente” às 19 candidaturas.

 

CENTENO “ILIBADO” NO CASO CGD – O relatório preliminar da comissão parlamentar de inquérito sobre a gestão de António Domingues na CGD ilibou o titular das Finanças. O relatório  sustenta que o responsável saiu do banco “com base em pressupostos” que tinha por adquiridos na relação com o accionista. “A saída do dr. António Domingues deriva não de qualquer aspecto relacionado com a administração da Caixa Geral de Depósitos, uma vez que todos os objectivos a que se propunha haviam sido alcançados, mas sim de questões de relação com o accionista construídas com base em pressupostos que o próprio julgava por adquiridos, face ao entendimento que fazia do alcance da alteração do Estatuto do Gestor Público”, refere a versão preliminar do texto do deputado relator, o socialista Luís Testa.

 

BRASIL COM HOSPITAL DA GUINÉ – O grupo empresarial brasileiro Afaga Company Guiné-Bissau tenciona construir em Bissau um “hospital de referência” através de um investimento de 150 milhões de euros, anunciou Celso de Araújo, presidente do grupo. O presidente do conselho de administração da Company do Brasil falava aos jornalistas à saída de uma audiência com o líder do parlamento guineense, Cipriano Cassamá. O presidente do parlamento e a embaixadora da Guiné-Bissau no Brasil, Eugénia Saldanha, são indicadas por Celso de Araújo como os principais impulsionadores do projecto, que deverá estar pronto dentro de um ano. O futuro hospital de referência será erigido nas instalações do antigo hospital Militar em Bissau, destruído durante o conflito político-militar de 1998/99.

 

* Jornalista. Assessora de Passos Coelho nos XIX e XX Governos Constitucionais.