Luiz Oliveira Dias

Luiz Oliveira Dias *

O Presidente da República condecorou no domingo passado o Chefe do Executivo e alguns dos nossos compatriotas aqui residentes. E, antes de mais, quero felicitar o nosso Cônsul-Geral pela forma como organizou o complexo e intenso programa da visita-relâmpago (relâmpago mas…visita) do Chefe do Estado a Macau.

Quanto às condecorações: são inteiramente justificadas – quase óbvias – as atribuídas ao próprio Chefe do Executivo, a Ambrose So, Guilherme Ung Vai Meng, Rui Cunha e Amélia António, pelo esforço que, nas respectivas áreas, têm feito pela defesa e prestígio da nossa comunidade e da nossa Cultura e pelo que assim têm contribuído para o fortalecimento dos laços que unem a RAEM a Portugal. Já quanto a Jorge Fão e Pereira Coutinho, independentemente do apreço que possa ter por ambos, já me não parecem tão evidentes as razões invocadas para que figurassem entre os distinguidos.

Efectivamente, se é grande a utilidade da APOMAC para os seus associados, designadamente por meio do seu restaurante económico e do Consultório de Fisioterapia, não consigo ver qual o contributo dessa meritória actividade para o reforço dos laços de Macau com Portugal e o prestígio da nossa Comunidade.

Mais difícil, ainda, de entender é a comenda concedida ao deputado Pereira Coutinho. Por duas razões: a primeira, porque não tem sido especialmente visível na sua, aliás intensa (honra lhe seja) actividade parlamentar a defesa específica dos interesses dos Portugueses e das relações de Macau com Portugal; por outro lado, além do seu desenfreado populismo (que ninguém leva a sério) não podemos concordar com a feroz e continuada perseguição que move contra a Secretária Florinda Chan, uma das mais competentes figuras do actual Executivo. Campanha essa quase obsessiva que é desastradamente impolítica pois não pode deixar de incomodar o Chefe do Executivo que sempre lhe tem reiterado a confiança. Daí, por certo, o lacónico (mas claro) comunicado do Porta-Voz do Governo a declarar que a escolha das individualidades condecoradas tinha sido da exclusiva competência do Presidente da República.

Ainda a propósito de condecorações, permito-me referir os nomes de alguns dos nossos compatriotas passíveis de virem a receber o reconhecimento nacional:

Antes de mais, a Dra. Maria Edith da Silva que, nos 15 anos em que foi sua directora, fez da Escola Portuguesa não apenas uma das melhores de Macau mas, possivelmente, a melhor de todas as Escolas Portuguesas do espaço lusófono.

Depois, o Professor Lei Heong Iok pelo esforço que tem realizado à frente do Instituto Politécnico pelo Ensino em nível superior e a difusão da Língua Portuguesa, não apenas em Macau mas, na própria China Continental. E bem assim o Prof. Rui Martins, Vice-Reitor da Universidade de Macau que, além de cientista eminente de reconhecido prestígio internacional, tem assegurado, Deus e ele sabem com que dificuldade, a manutenção da matriz portuguesa nas áreas daquela instituição mais relevantes para a nossa identidade.

E ainda mais duas individualidades: o Eng. João Manuel Costa Antunes que, nos 23 anos em que desempenhou as funções de Director dos Serviços de Turismo, sempre sublinhou a importância da nossa cultura para a identidade de Macau em todas as promoções da RAEM em Macau e no exterior. E, finalmente, o Dr. Miguel de Senna Fernandes que, com a actividade do Dóci Papiaçám, tem contribuído como nenhuma outra entidade para a preservação dos costumes locais.

Refiro ainda três instituições: a Associação dos Advogados de Macau, incansável defensora da permanência do nosso sistema jurídico, os canais portugueses da Televisão e da Rádio da TDM, que festeja agora os seus 30 anos, e o Clube Militar, nosso ponto de encontro e nossa Sala de Visitas que, pela elegância das suas instalações e a qualidade do seu serviço, nos enche a todos de vaidade.

Posto o quer – posto o que:

Surpreendeu-me o facto de não terem sido incluídos na lista dos agraciados o Dr. Stanley Ho e o Comendador Ng Fok, que acabam de contribuir generosamente para a melhoria do Auditório da Chancelaria e para a fachada da Residência Consular. É certo que receberam um imediato reconhecimento do nosso Cônsul-Geral mas, a meu ver, mereciam também o do próprio Estado Português.

Parabéns, portanto ao Dr. Vítor Sereno por estas exemplares e fecundas parcerias que conseguiu construir, habituais, como se sabe, não apenas em Macau mas em todo o mundo. Ao contrário do comentário equívoco dum redactor (na melhor das hipóteses não informado) duma revista de Lisboa que quase deixa a suspeição de algumas contrapartidas escusas.

Talvez lá longe (tão longe mas, sempre tão perto) estas atoardas – estas aleivosias – levantem algumas curiosidades. Mas, em Macau, só nos fazem rir pois toda a gente sabe da dignidade com que Vítor Sereno vem exercendo as suas funções.

 

*Docente. Anterior presidente do Instituto Politécnico de Macau.