Jorge Silva*

Jorge Silva*

1. A suspensão do mandato do deputado Sulu Sou foi a solução que se temia de um caso político, cujas consequências o governo e a Assembleia Legislativa não mediram bem.

Ao contrário de grande parte dos deputados do bloco dos 28 que votou a favor da suspensão, Sulu Sou tem legitimidade popular para estar na AL porque foi eleito democraticamente. Ainda é um jovem, de sangue quente, mas um moderado no seio da Associação Novo Macau e a desobediência qualificada de que é acusado é apenas uma desculpa para caçar o mandato de uma voz incómoda na sonolenta Assembleia Legislativa que, com esta iniciativa da suspensão, se transformou numa repartição pública da Administração.

Ao contrário do bloco dos 28, Sulu Sou não tem negócios a defender nem pretende ser a voz do dono indefectível. Sou não é um génio que possa, assim, assustar tanto o governo ou os senhores deputados. Ele está, ou estava, na AL para defender uma causa – o reforço da democracia em Macau.

O processo que levou à sua suspensão parece inquinado ou contaminado desde o início, dado que uma simples mudança de rota de uma manifestação não é crime de sangue, violento ou prejudicial para a circulação de pessoas e automóveis.

Depois, a eleição de Sou abriu caminho para se avançar com o pedido de suspensão para calar uma voz democrática, uma das quatro vozes democráticas na AL, uma espécie de aviso ao rarefeito espaço democrático da RAEM, para que se porte bem porque o braço da Lei é grande e chega a todo o lado.

Foi uma decisão política a suspensão porque envolve o governo, a AL e os senhores polícias mas espera-se que o bom senso impere e que o juiz ou juíza do caso saibam tirar as devidas ilações e considerem que uma condenação, por algo anterior à vida do deputado Sulu Sou na Assembleia, não faz qualquer sentido.

Depois da suspensão política, era o que faltava uma condenação política… Seria mais uma cruz na imagem de Macau e a vitória do autoritarismo…

 

2. Ainda sobre Assembleia Legislativa, muito animado o debate entre Pereira Coutinho e o secretário Raimundo do Rosário. Ao estilo agressivo e irónico de Coutinho, a calma e a segurança de Rosário. Na recta final, as LAG ficaram com mais combustão…

 

3. O provável reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel – na altura em que escrevo estas linhas – deixa os Estados Unidos no honroso lugar de único país em todo o Mundo a defender e aplicar esta decisão. Como se não bastasse a saída norte-americana do Acordo de Paris sobre o ambiente… Responsável por tais decisões o inacreditável presidente dos Estados Unidos!

Donald Trump e o seu deplorável governo não têm conhecimentos geoestratégicos, diplomáticos e de história para tomar, levianamente, esta decisão sobre Jerusalém, um lugar sagrado para judeus, muçulmanos e cristãos. Os judeus sequestraram a cidade há muito, julgando que têm direitos sagrados, mas os vários presidentes dos Estados Unidos, republicanos e democratas, nunca apoiaram a ideia até chegar este monstro ignaro chamado Trump.

A questão de Jerusalém e a situação dos palestinianos constituem a parte central da narrativa islâmica que esteve na origem de movimentos radicais e terroristas do Mundo árabe. Se o Médio Oriente já estava a arder, a decisão de Trump irá contribuir para uma explosão de sangue que ultrapassará a região, chamuscando todo o Planeta como, em breve, se irá ver.

Que os deploráveis que apoiaram Trump e que ficam excitados com todas as asneiras que ele faz, é um problema interno dos Estados Unidos. Por causa de Jerusalém, a violência chegará a todo o lado…

Este pesadelo chamado Trump já deveria ter terminado se houvesse coragem dos republicanos moderados para iniciar o processo de destituição do presidente dos Estados Unidos, o maior incendiário e uma afronta à Paz mundial.

 

* Jornalista