Sandra Lobo Pimentel

Sandra Lobo Pimentel *

A política da Comissão para os Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa para controlar as acções de campanha fora do período oficial esteve, desde início, envolta em muitas dúvidas e imprecisões. Primeiro foram as declarações de José Chu que deixaram todos em polvorosa, como se os candidatos (que nessa altura ainda nem o eram) não pudessem sequer estar presentes na recolha de assinaturas.

Logo aí, soou a absurdo, mas as regras são algo difícil de delimitar, ainda mais quando há deputados em exercício a fazer uso dessa tribuna para promoverem as suas candidaturas futuras. Foi, de facto, um bico de obra, mal gerido pela CAEAL, porque muito falou e o que se viu foi precisamente os confirmados candidatos e candidatos a candidatos a fazerem o que bem entendiam.

Seguiu-se o período da apresentação das comissões de candidatura e o panorama começou a desenhar-se. Houve manifestações nas ruas e, na AL, os deputados candidatos a fazerem o seu papel para não serem esquecidos, alguns, até, quais corredores de fundo, foram-se chegando à frente em protagonismo e intervenções no hemiciclo nas últimas semanas, como quem diz, para queimar os últimos cartuchos.

A CAEAL viu-se, então, a braços com 20 listas e, diria eu, a campanha já a rolar, sem que nada conseguisse para “fazer cumprir a lei”. Ninguém diria que a dita campanha só começa oficialmente no próximo domingo.

A Comissão enveredou pelo pior caminho e, deste, há uma consequência que, claramente, salta à vista de todos (ou daqueles que querem ver). Já depois do Tribunal de Última Instância ter permitido a Jason Chao e sua “entourage” manifestar-se no Jardim da Penha, contra aquilo que havia sido decidido pelas autoridades, Ip Son Sang decidiu cortar do programa eleitoral da lista algumas frases que pediam a demissão de Florinda Chan e um inquérito a Edmund Ho.

Claro está que esta acção só está a beneficiar o candidato Jason Chao. Sejamos inocentes: mesmo que se esteja a fazer cumprir a lei, os argumentos dados não têm fundamento. Se outra coisa se pretende com estes cortes, realmente a leitura política de Ip Son Sang deixa muito a desejar.

Com esta novela, Chao só está a ganhar força. O jovem candidato e presidente da Associação Novo Macau já mostrou que não tem receio de afrontar ninguém. É política? É estratégia? Talvez. Mas, ou muito me engano, ou o ruído vai dar frutos nas urnas. E por muito que lhe cortem frases do programa, não autorizem manifestações ou o façam passar umas horas detido na esquadra da polícia, daqui a uns meses, quer-me parecer que Jason Chao vai dar “ainda mais trabalho” sentado no seu lugar de deputado na AL.

 

* Jornalista do JTM