Luiz de Oliveira Dias*

Luiz de Oliveira Dias*

Entre as muitas notícias que foram sempre publicadas ao longo dos últimos feriados, escolhi algumas. Entre elas:

– em Portugal – inevitável – os resultados das eleições autárquicas em que avultam as vitórias pessoais de Rui Moreira e Assunção Cristas e, entre os Partidos, a do PS, e as derrotas pesadas do PCP, do BE e do PSD.

– e em Espanha a cada vez mais preocupante situação política da Catalunha desencadeada por uma espécie de aprendiz de feiticeiro com esperança que uma possível mediação – talvez da Igreja – ponha fim à tentativa de transformação de uma das mais cheias de História regiões da Península numa república popular socialista.

Finalmente em Macau, é importante continuar a futurar sobre o funcionamento da Assembleia Legislativa com a sua nova composição, assim como sobre o inaceitável aumento das tarifas dos transportes públicos.

Todas elas, como se vê, meramente circunstanciais. Mas há outras a requerer a nossa atenção pela importância que têm para o fortalecimento das relações entre Portugal e Macau.

Refiro-me às da última visita a Lisboa do Secretário Alexis Tam durante a qual assinou com o Governo Português diversos Protocolos nas áreas da Saúde, da Cultura e da Educação.

Relativamente à área da Saúde os que assinou com o Ministro da Saúde e o Presidente da Ordem dos Médicos para garantir a vinda para a RAEM de mais médicos portugueses na perspectiva das necessidades do novo hospital das Ilhas.

Dois na área da Cultura. Um deles sobre a digitalização das chamadas Chapas Sínicas – um conjunto de documentos do século XVII relativos às relações ainda pouco estudadas entre o Imperio Chinês e Macau; e o outro para a criação de um Fórum Cultural em que, além do Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, participarão os Ministros da Cultura de Portugal, da RPC e dos Países de Língua Portuguesa.

E por fim, no que toca à Educação entre outros a assinatura de um Protocolo entre os Presidentes do nosso Instituto Politécnico e da Fundação Escola Portuguesa de Macau para o ensino da Língua Portuguesa no Interior da China; e o segundo, assinado entre o Coordenador do GAES e os Presidentes dos Conselhos dos Reitores das Universidades e Coordenador dos Politécnicos Portugueses que permitirão aos finalistas do secundário das escolas de Macau candidatarem-se às Universidades e Politécnicos portugueses.

É evidente que estas iniciativas só foram possíveis graças ao prévio acordo e ao apoio dos governos de Lisboa e da RPC o que é um dos seus aspectos mais positivos.

Foi uma visita de sucesso. Oxalá os Secretários das restantes áreas da Governação lhe sigam o exemplo nunca se esquecendo que a Cultura local sempre será uma mistura entre a Portuguesa e a Chinesa.

 

* Docente. Anterior presidente do Instituto Politécnico de Macau.