José Rocha Diniz

José Rocha Diniz

Terminou ontem o julgamento do ex-dirigente chinês Bo Xilai, após dias de audiência em que, para além de uns episódios de “ópera bufa”, se revelou a face do poder na RPC.

Deixemo-nos de histórias. O sistema judicial da China Continental é próprio de um regime comunista em que os direitos, liberdades e garantias não são acolhidos como fundamentais. Nos últimos tempos tem havido algumas melhorias, sem dúvida, mas estamos longe de um Estado de Direito, pelo que qualquer tentativa de apreciar o julgamento de Bo Xilai à luz do que acontece nas democracias ocidentais é uma falácia.

Também uma falácia é a simpatia com que Bo Xilai tem sido tratado pela imprensa ocidental, agora por ocasião do julgamento. Uma estranha simpatia.

Bo Xilai apareceu na hierarquia do PCC por razões que o Ocidente, por norma, verbera: é “príncipe” do regime, filho de Bo Yibo, um dos já falecidos oito “imortais” do regime comunista.

Como Mayor de Dalian e Governador de Liaoning foi acusado de perseguição dos membros da Falun Gong e, segundo as notícias surgidas no Ocidente, conjugou crescimento económico com corrupção; em Chongqing ficou conhecido pela campanha de retorno à Revolução Cultural com a qual “purificou” os dirigentes locais e tentou a subida ao “Politburo”.

As histórias domésticas surgidas no julgamento podem ser muito interessantes para as publicações cor de rosa, mas no fundo não são mais que o reflexo do exercício de poder num regime totalitário em que os poderosos gozam de total impunidade.

Até ao dia em que outros se mostrem mais poderosos…