Roy Eric Xavier*

Roy Eric Xavier*

Em finais de 2013, o Presidente Xi Jinping apresentou uma nova e diferente estratégia de relações internacionais denominada “Uma Faixa, Uma Rota”. Para a China e outros países envolvidos, esta iniciativa destina-se a estreitar laços entre as pessoas tendo como base ligações históricas e comunicações interculturais, projectadas para desempenhar um papel significativo na modelação do comércio, projectos de infra-estruturas e a segurança internacional no futuro. O antigo Director Adjunto da Comissão Reguladora de Seguros, Zhou Yanil, destacou a importância de factores culturais sugerindo que a comunicação cultural é um dos pontos fundamentais da iniciativa:

“De facto, somente através da comunicação cultural é possível estabelecer um paradigma de comunicação, e só depois disso se pode compreender a estratégia de desenvolvimento ‘Uma Faixa, Uma Rota’, impulsionar a construção desta iniciativa e criar projectos na realidade”.1

Apesar das atitudes passivas em relação ao comércio no passado, a estratégia “Uma Faixa, Uma Rota” requer o envolvimento activo da China com os 65 países ao longo da antiga Rota da Seda desde a Ásia até ao Médio Oriente e Europa, e numa “Rota da Seda Marítima” que liga vários países à volta do Círculo do Pacífico, incluindo o norte e o sul da América. Tal irá implicar o uso de “comunicação cultural” de formas que renderão benefícios mútuos, não apenas para o comércio, mas para toda a humanidade.

Recentemente, o Professor Feng Da Hsuan, director de Assuntos Globais e Assessor Especial do reitor da Universidade de Macau, escreveu na publicação “Chinese Social Sciences Today” que podem ser extraídos vários exemplos do aparecimento de indígenas americanos que são agora presidentes de grandes universidades nos Estados Unidos e directores executivos de diversas empresas, como Microsoft, Google, Pepsi Cola e MasterCard2. Feng sustenta que, para além das suas qualificações, estes indivíduos têm claramente dominado “a arte de comunicação cultural” através da interacção com pessoas fora da sua zona de conforto, bem como transformando a mentalidade das suas organizações individuais.

Sugiro que a criação de uma nova organização baseada em Macau, Los Angeles e São Francisco chamada “Aliança Internacional Macaense” (AIM) poderá ser a contribuição de Macau para a iniciativa “Uma Faixa, Uma Rota”.

 

Apresentando a AIM Macau

A Aliança Internacional Macaense é uma organização cultural e comercial fundada por dez (10) assocializações locais e da diáspora em 2014, e registada em 2016. Tenho a honra de ter sido eleito o primeiro presidente, o que aconteceu durante uma reunião geral em Toronto, no Canadá. Um membro da AIM é também membro do Conselho das Comunidades Macaenses (CCM) em Macau. Uma característica fundamental da atracção da AIM é uma rede de profissionais culturais, empresários e técnicos especializados portugueses nos Estados Unidos, Canadá e Europa. Encontram-se entre os 1,5 milhões de descendentes de Macau e mais de 42 milhões com ascendência portuguesa a nível mundial.

A AIM utiliza esta rede para desenvolver parcerias entre os governos, instituições de educação e negócios na China e Estados Unidos, Canadá e Portugal. A nossa missão é utilizar as ligações luso-asiáticas dos nossos membros e as suas qualificações profissionais para partilhar experiências em soluções ambientais, eficiência energética, tecnologia, finança, construção agricultura sustentável, educação superior e serviços biomédicos, seguindo a estratégia da China de “Uma Rota, Uma Faixa” baseada na comunicação cultural.

Como presidente da AIM, um dos meus conselheiros é Bian Tao, director-geral adjunto do Departamento de Coordenação do Gabinete de Ligação do Governo Central em Macau. Tao passou 26 anos a trabalhar em Macau e é reconhecido pelos seus esforços na preservação da sua cultura, mantendo linhas de comunicação abertas com a comunidade local.

O parecer de Tao, que não inclui laços formais com o Gabinete de Ligação, envolve opiniões partilhadas sobre Macau, o ensino superior e a diáspora internacional macaense. Tanto eu como Tao apoiamos os esforços para estender a “Rota da Seda Marítima” da China de forma a incluir os Estados Unidos e o Canadá através da rede global da AIM dos descendentes de Macau, que vivem actualmente em 35 países por todo o mundo. Também partilhamos interesses na diversificação da economia de Macau através da sua cultura histórica como uma ponte para envolver os macaenses que agora trabalham em muitas empresas conhecidas e de capital de risco.

O potencial para encontrar um terreno comum com a iniciativa “Uma Faixa, Uma Rota” através da Diáspora Macaense parece ser um conceito radical. Mas, após alguma reflexão, implica o envolvimento de todos os luso-asiáticos espalhados pelas fronteiras nacionais independentemente da linguagem. A tentativa de comunicação através da identidade, tradição e herança proporciona uma dimensão acrescida às relações internacionais que só é possível quando a comunicação cultural é o ponto inicial de contacto. Essa é uma das razões pelas quais a AIM foi criada: para explorar a entrada da China neste território por descobrir, particularmente em regiões como Macau que procuram a diversificação económica.

 

Conclusão

A estreita associação entre a diversificação cultural e económica deve ser familiar para qualquer pessoa com ligações a Macau3. A sua história inclui uma interacção contínua com famílias Luso-Asiáticas, muitas das quais migraram para a região entre os séculos 17 e 19, com sucessivas vagas de imigrantes oriundos do Sudeste Asiático, muitas vezes através da linguagem, religião e casamento inter-racial, que solidificaram laços culturais e comerciais4. Nas próximas semanas iremos explorar este tema com mais profundidade e destacar paralelos que são actualmente relevantes para Macau. Haverá também actualizações automáticas à medida que a AIM se desenvolve. Encorajo todos os interessados nesta nova organização a visitarem a página do Facebook pesquisando por “Aliança Internacional Macaense – International Macanese Alliance” ou através do endereço https://www.facebook.com/IMA.Americas/.

 

NOTAS:

1-Comentários na “The Commercial Press and the Forum of the ‘Belt and Road’ 100 conference” em Pequim, a 5 de Novembro, 2016.

 

2-Professor Feng Da Hsuan, “Cultural communications: Challenge, Opportunity of the ‘B & R’,” Chinese Social Science Today: 4, 13 de April, 2017.

 

3- Algumas das minhas primeiras impressões sobre a diversidade cultural e económica foram expressas no artigo “A Cultura de Macau como Activo Económico”, que pode ser encontrada em http://www.macstudies.net/culture-as-an-econonomic-asset/ .

 

4-Veja o artigo de Sheyla S. Zandoni,“Global Diversity, Local Identity, and Multicultural Practice in Macau”, Intercultural Communications Studies, Vol. XVII: 1, 2009:19-32.

 

*Director do Projecto de Estudos Portugueses-Macaenses e professor visitante no “Institute for the Study of Societal Issues” na U.C. Berkeley.

 

Artigo traduzido do Inglês na sua totalidade. Para mais informações, ou a versão em Inglês deste artigo, visite www.fareastcurrents.com