Luiz de Oliveira Dias*

Luiz de Oliveira Dias*

Melhor diria – Alguns dos muitos mistérios de Macau.

Por exemplo: alguém percebeu a razão por que o Eng. Costa Antunes foi inopinadamente demitido de Director dos Serviços de Turismo, cargo que estava a exercer de forma notável? Só se foi por que a população tinha por ele mais apreço do que pelo apagado então Secretário da Tutela.

Como igualmente se não entende a razão por que Alex Wong foi subitamente “transplantado” da presidência do IACM – cargo que estava a desempenhar muito bem – e colocado à frente dos Serviços de Alfândega, cargo para que não tinha a menor preparação. E o mesmo da colocação de José Tavares na presidência desse organismo e retirado da do Instituto do Desporto onde subira com mérito excepcional todos os degraus da carreira.

E por falar em IACM, também não percebi a razão pelo qual o IACM será em breve extinto e substituído por outra entidade com mais ou menos as mesas atribuições e competências.

E mais para trás: porque é que os táxis amarelos, como a Reolian algum tempo depois, pela Direcção dos Assuntos de Tráfego foram extintos e substituídos por outros rádio-táxis e uma nova empresa de autocarros que se destinam exactamente ao mesmo serviço?

Na mesma área: alguém percebe porque essa Direcção dos Serviços aceita sempre as reivindicações das associações dos seus motoristas sem lhes exigir qualquer contrapartida?

E alguém entende porquê o antigo presidente do IACM foi agora para o Director dos Serviços de Meteorologia e Geofísica apenas por ser considerado “um bom gestor”?

E porquê a proposta do Governo sobre a generalização do salário mínimo exclui as domésticas e os deficientes? O Director dos Serviços Laborais justifica a proposta dizendo que a posição do Governo “tem como referência um modelo aplicado por exemplo na Formosa, na Coreia do Sul, no Japão e nos Estados Unidos. Acrescentando que “é mais importante assegurar um emprego em vez da preocupação como salário”. Isto quanto às empregadas domésticas e já quanto aos deficientes porque os seus possíveis contratadores “temem que ao incluírem trabalhadores com deficiência no regime de salário mínimo a sua competitividade seja reduzida”. Mas isto diz-se? Isto é possível de imaginar? Este atentado contra os Direitos Humanos, a Lei Básica e a consciência cristã que informa as raízes culturais de Macau?

E para terminar: ao certo ao certo ainda não percebi o motivo por que a Comissão de Regimento e Mandatos da Assembleia fugiu à sua obrigação (para isso é que existe) e não se pronunciou sobre o caso “para não influenciar a decisão do Parlamento”? Será por medo de desagradar a alguém aqui na terra ou nas estrelas do norte? Resultado – saiu-lhes o tiro pela culatra: quem parecia um deputado ainda principiante tornou-se numa estrela em ascensão.

 

* Docente. Anterior presidente do Instituto Politécnico de Macau.