Um inquérito da Sanford C. Bernstein revela que quase 70% dos participantes já visitaram o território e 84% pretendem regressar, sendo que os dados apontam para um alargamento do período da estadia no futuro, bem como do aumento dos gastos com compras e gastronomia. Porém, o relatório adverte que a melhoria da rede de transportes será determinante para a penetração noutros mercados e um “elemento chave” no desenvolvimento do sector das massas

 

Liane Ferreira

 

Analisar o comportamento dos visitantes no território. Este foi o objectivo a que a consultora Sanford C. Bernstein se propôs, sendo que os resultados indicam uma tendência de aumento do tempo de estadia e maior disposição para gastar mais dinheiro em futuras visitas.

Do inquérito a 1.873 pessoas que estão ou planeiam vir a Macau, concluiu-se que 67% dos participantes estiveram no território, 49% dos quais nos últimos 12 meses, sendo que os restantes pretendem visitar o território no futuro.

Tal como noutras análises, a maioria dos entrevistados (62%) são de Guangdong e 23% de outras províncias do Continente, devido à maior proximidade com Cantão, à rede de transportes e ao facto de toda a província ter acesso a vistos.

De acordo com o estudo a que o JORNAL TRIBUNA DE MACAU teve acesso, a consultora considera que, no futuro, a melhoria da rede de transportes e o aumento da oferta de quartos vão permitir uma maior penetração noutros mercados, que não apenas Cantão, sendo esse um “elemento chave” do crescimento do mercado de massas em Macau.

Aliás, 13% dos entrevistados disseram não querer visitar o território por ser “inconveniente”, pelo que a conclusão da Ponte do Delta e o comboio com Zhuhai e Hengqin poderão ajudar a tornar Macau mais acessível. No mesmo sentido, melhorar as conexões de transportes para tornar a RAEM mais barata e fácil de chegar sublinha a necessidade de aperfeiçoar essa componente.

Por outro lado, 84% das pessoas de Guangdong entrevistadas admitiram regressar ao território no período de um ano e 60% dos entrevistados de outras províncias afirmaram o mesmo. Os autores do estudo chamam a atenção para o facto de apenas 6% dos participantes recorrerem ao visto de trânsito (71% usavam visto individual), porque na sua visão este seria um canal importante para que clientes dos segmentos VIP e “premium” do jogo possam visitar frequentemente a RAEM.

Tendo em conta o desejo do Governo de que os turistas fiquem mais tempo no território, o relatório revela que a maioria dos visitantes fica uma ou duas noites em Macau (60% em 2014 e 58% em 2016), sendo que se registou um aumento de um ponto percentual para 30% no número de pessoas que ficam três ou mais noites.

Os mesmos dados indicam que 43% dos visitantes que não são de Cantão permanecem três noites ou mais em Macau e 37% ficam duas noites. É de ressalvar, no entanto, que 53% dos entrevistados que planeavam visitar em 2016, queriam ficar uma ou duas noites e 37% tinham em mente três ou mais.

Para quem pretende voltar ao território, os planos incluem estadias mais prolongadas; quem é de Cantão passa de 1,5 para 1,6, e os restantes de 2,2 para 2,4 noites.

Segundo o estudo, os turistas de Cantão que anteriormente se deslocavam a Macau três vezes por ano, em 2016 passaram a vir duas vezes, sendo superados por pessoas de Pequim que visitam o território 2,1 vezes por ano, seguidos por Fujian, Xangai e Jiangxi (1,9 vezes).

 

“Jogadores sérios”

A análise da consultora frisa que os entrevistados têm rendimentos familiares anuais elevados que rondam as 484 mil patacas.

“Os visitantes chineses em Macau são jogadores sérios (mesmo que não respondam honestamente às questões do inquérito)”, diz a consultora, acrescentando que em termos de apostas nas mesas de jogo, 88% dos entrevistados registaram perdas abaixo das 11.528 patacas por visita.

Além disso, 5% perderam mais de 34 mil patacas por visita, sendo classificados como jogadores VIP ou “premium” com perdas médias de 72.000 patacas. Segundo o estudo, o mercado “premium” em Macau continua a gerar entre 45 a 50% das receitas de jogo brutas.

Antevendo as próximas visitas, 48% dos entrevistados querem gastar sensivelmente o mesmo valor no jogo, enquanto 32% pretendem gastar mais.

Uma análise aos elementos extra-jogo revela ainda que a actividade favorita é comer (26%). Passear e fazer compras ficam empatadas com 22%, e o jogo é a quarta actividade preferida (19%). A lista de motivos para visitar Macau é liderada pela gastronomia (36%), seguida do turismo (30%), cultura (24%), visitas a casinos (24%) e compras (23%).

Porém, 30% dos inquiridos gastam mais dinheiro em compras e 16% em comida e alojamento. Em média, são gastas 2,6 horas em compras nos casinos, sendo que 11% dos entrevistados chegam a dedicar cinco horas a essa actividade. Nesse sentido, 48% admitem que numa visita posterior vão investir mais neste elemento.

Excluindo o jogo e transportes, os gastos médios são de 15.100 renminbis, cerca de 17.000 patacas. Quem vem do Norte da China gasta acima da média.