A ANIMA lançou uma campanha com outras associações internacionais para tentar encontrar um lar para os galgos após o fecho do Canídromo. Albano Martins está também a falar com companhias que detêm embarcações para levar os cães para Hong Kong e com transportadoras aéreas que possam encaminhá-los até à Europa

 

Inês Almeida

 

Apesar de já ter conseguido angariar mais de 250 adoptantes para os galgos que ainda ocupam o Canídromo, o presidente da Sociedade Protectora dos Animais de Macau (ANIMA) defende que agora é que “é a sério”, e num ano com “muito trabalho” no horizonte, lançou uma campanha a par da GREY2K USA Worldwide e da Pet Levrieri, de Itália, solicitando que outras organizações internacionais ajudem a dar um novo lar aos galgos, após o encerramento do Canídromo, em Julho de 2018.

“Vou ficar inundado de e-mails mas já tenho recebido individualmente pedidos do Reino Unido, da Austrália e de França, de pessoas que dizem que gostavam de ficar com um dos animais”, sublinhou Albano Martins ao Jornal TRIBUNA DE MACAU. Quando os cães chegarem aos países de destino, são as organizações locais que ficam encarregues de os levar até aos respectivos adoptantes.

“Temos duas opções: ou enviamos directamente para as associações e, aí, o que acontece é cada uma das associações ir recebendo [os cães] a pouco e pouco, ou encaminhamos as pessoas que nos contactam para as associações mais adequadas. Há pouco tempo fiz uma chamada para a Birmingham Greyhound Protection para depois dar um animal a uma senhora que já tem dois e quer mais um”, frisou.

A campanha prolonga-se até todo o processo estar concluído. “Estamos a falar em 650 animais que, teoricamente, ainda estarão no Canídromo. Nunca mais publicaram as estatísticas a partir do momento em que sabiam que iam fechar, mas as mortes já não podem acontecer porque com a nova lei não podem matar por motivos económicos”.

Albano Martins refere que neste momento a companhia que gere o espaço ainda procura encontrar uma solução e a ANIMA está a tentar dar uma hipótese, no entanto, “a responsabilidade tem de ser assumida por todos”. “O Governo tem de ajudar”.

“Já deram um bom passo que foi fechar [o Canídromo], agora vamos a uma segunda fase. Acredito que isto tem pernas para andar”, apontou, dando particular ênfase à intervenção de Itália. “Em Itália as pistas de corrida fecharam em 2002, portanto, os italianos são os únicos que podem falar”.

Outro passo em frente passa pelo apoio de companhias aéreas e detentoras de embarcações que ajudem a transportar os galgos.  “A ANIMA está a contar com companhias de barcos para transportar os animais para Hong Kong de modo a minimizar os custos e com companhias aéreas para enviarem os cães directamente do Aeroporto de Macau”, destacou o presidente. “Com a nova rota para Portugal, vamos ver se conseguimos fazer os animais seguir para Pequim e de lá para Lisboa”.