Apesar da longa espera e do aumento do orçamento do projecto, o Secretário para os Transportes e Obras Públicas desvalorizou as derrapagens na construção do Terminal Marítimo da Taipa, salientando ainda que parte da infra-estrutura já tinha sido concluída há 10 anos. As operações arrancam a 1 de Junho

 

Pedro André Santos

 

Doze anos depois de terem sido adjudicadas as primeiras obras, o Terminal Marítimo da Taipa foi ontem finalmente inaugurado numa cerimónia que contou com a presença do Chefe do Executivo, Chui Sai On, embora só entre em funcionamento a 1 de Junho. O projecto sofreu várias derrapagens ao longo dos anos, com atrasos e aumento do orçamento, que acabou por se cifrar em 3,8 mil milhões de patacas, um incremento relativizado pelo Secretário para os Transportes e Obras Públicas.

“Não sei se é muito grande [a derrapagem] porque a obra tem 200 mil metros quadrados, mais os arranjos exteriores. Não é uma obra pequena, por isso não acho que a derrapagem tenha sido muito grande. No início, o terminal tinha oito lugares para atracação, hoje tem 16. Quando o projecto se iniciou era uma coisa muito pequena, sofreu depois alterações e ampliações, de modo que hoje temos este edifício que é maior que o terminal de passageiros do aeroporto”, destacou Raimundo do Rosário.

Em declarações aos jornalistas, o Secretário lembrou que “uma parte do terminal já foi concluída há 10 anos”, referindo-se ao terminal provisório, e encarou com naturalidade os diversos desafios que o projecto enfrentou. “Esta obra teve várias peripécias, esteve parada durante um período que não foi curto, portanto, é natural que tenha problemas. Sempre reconheci isso, mas estamos cá para os resolver”, disse.

Por sua vez, realçando que o “mais importante” nesta fase é garantir uma “transferência pacífica” dos serviços entre os dois terminais na Taipa, Susana Wong disse esperar um aumento gradual de passageiros. “Com este tamanho e estes serviços esperamos que o novo terminal atraia mais passageiros. Prevemos um aumento não muito drástico, mas gradual. Agora o terminal provisório tem uma média de passageiros que representa 35% do total. Com o novo, esperamos que suba para mais de 40%”, disse a directora da Serviços de Assuntos Marítimos e de Água (DSAMA).

O terminal provisório, que está a funcionar deste 2007, vai ser demolido, abrindo caminho para a construção de “uma zona de depósito de combustíveis” para abastecimento dos navios. Susana Wong não fechou também a porta à inclusão de novas transportadoras marítimas para se juntarem às três actuais, apesar de ainda não terem aparecido propostas. “Estamos a esperar, depende do mercado, se houver interesse de abrir novas rotas basta falar connosco”, referiu.

Questionada pelo jornalistas, a directora da DSAMA deixou ainda a garantia de que o Terminal Marítimo de Passageiros do Porto Exterior não será encerrado.

 

Uma nova porta de entrada

Com instalações modernas e infra-estruturas mais avançadas, o novo terminal poderá ser uma “porta de entrada importante”, considerou a directora da DSAMA, lembrando que, nos últimos cinco anos, registaram-se “cerca de 120 milhões de entradas e saídas que cruzaram fronteiras marítimas de Macau”.

A infra-estrutura, que ocupa uma área de cerca de 200 mil metros quadrados e dispõe de 16 lugares de atracação para embarcações rápidas, três multifuncionais, 127 canais de passagem fronteiriça e heliportos, poderá responder ao aumento da procura de transporte marítimo associado ao desenvolvimento do COTAI e aliviar a pressão sobre o Terminal do Porto Exterior.

Também serão disponibilizadas instalações de apoio aos passageiros, incluindo carros de golfe, carrinhos e esteiras de bagagem. Entrarão em funcionamento lojas, agências de viagens, casas de câmbio, estabelecimentos de restauração e bebidas e salas de apoio à amamentação.

“A obra de construção do Terminal Marítimo de Passageiros da Taipa foi gigantesca e as dificuldades foram grandes, durante a sua construção, incluindo a alteração do posicionamento do terminal, modificação do projecto, suspensão da obra por parte do empreiteiro, problemas com a qualidade de execução”, recordou Susana Wong. Apesar do prazo de construção ter sido “bastante longo”, a responsável mostra-se optimista quanto à operacionalidade da infra-estrutura, esperando “margens para melhoria e optimização” após a entrada em funcionamento, ainda quem sem afastar “eventuais problemas”.